quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Novos Livros

Não há nada melhor para quem gosta de ler, do que lhe chegarem às mãos (ou neste caso ao leitor de e-books) livros novos.
Mesmo quando, um dos livros afinal, já lá estava.

Depois de me lamentar que não tinha livros para ler e tal, "descobri" que afinal tinha este e-book no meu kindle à espera de leitura. Dah!


Sinopse:
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.
Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.
Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?
 
E pior do que apenas não me lembrar que o tinha, até já tinha por curiosidade, lido duas ou três páginas.
 
 
E entretanto ganhei mais dois e-books de prenda de anos, um dos quais estava na minha wish list do ultimo post.
 


Sinopse:
É o verão mais quente de que os habitantes da província de Östergötland, no centro da Suécia, têm memória. A cidade de Linköping derrete com o calor e nas florestas os incêndios estão fora de controlo, tornando o ambiente sufocante. A inspectora Malin Fors é chamada ao parque municipal, onde uma adolescente foi encontrada nua e coberta de sangue.
Quem telefonou a informar que a encontrariam ali? E afinal o que é que realmente lhe aconteceu? Enquanto a polícia se debate para dar resposta a estas perguntas, outra rapariga desaparece e uma descoberta arrepiante tem lugar numa praia fluvial nos arredores da cidade. Malin, que tem uma filha adolescente, teme pela sua segurança e, provavelmente, não está a exagerar. Anjos Perdidos em Terra Queimada é o segundo volume da excepcional tetralogia de Mons Kallentoft que tem na inspectora Malin Fors a principal personagem que os leitores começaram a conhecer em Sangue Vermelho em Campo de Neve. Nesta nova história somos transportados para um enredo perturbador onde os preconceitos sexuais, a desconfiança face aos imigrantes, os amores desesperados e o ódio acumulado ao longo dos anos dão origem a um arrepiante cenário de crime e mistério.

Uma vez que já li o primeiro livro deste autor (Sangue Vermelho em Campo de Neve) e gostei bastante, estou muito interessada em ler mais casos a cargo da inspectora Malin Fors.
Este vai ser o primeiro a ser digerido.


 
Sinopse:
Lisboa, 1941. Um oásis de tranquilidade numa Europa fustigada pelos horrores da II Guerra Mundial. Os refugiados chegam aos milhares e Lisboa enche-se de milionários e actrizes, judeus e espiões. Portugal torna-se palco de uma guerra secreta que Salazar permite, mas vigia à distância.
Jack Gil Mascarenhas, um espião luso-britânico, tem por missão desmantelar as redes de espionagem nazis que actuavam por todo o país, do Estoril ao cabo de São Vicente, de Alfama à Ericeira. Estas são as suas memórias, contadas 50 anos mais tarde. Recorda os tempos que viveu numa Lisboa cheia de sol, de luz, de sombras e de amores. Jack Gil relembra as mulheres que amou; o sumptuoso ambiente que se vivia no Hotel Aviz, onde espiões se cruzavam com embaixadores e reis; os sinistros membros da polícia política de Salazar ou mesmo os taxistas da cidade. Um mundo secreto e oculto, onde as coisas aconteciam "enquanto Salazar dormia", como dizia ironicamente Michael, o grande amigo de Jack, também ele um espião do MI6. Num país dividido, os homens tornam-se mais duros e as mulheres mais disponíveis. Fervem intrigas e boatos, numa guerra suja e sofisticada, que transforma Portugal e os que aqui viveram nos anos 40.

Mais um livro escrito por um jornalista português. Não tenho nada contra e até tenho curiosidade em ler. Pelo menos li as primeiras páginas de dois outros (Verão Quente e Quando Lisboa Tremeu) e gostei bastante do tipo de escrita e da primeira apresentação da acção que nos é dada.

Agora vou deixar de me queixar por uns tempos (os suficientes para ler os três livros) e entre cada um deles voltarei com a minha humilde opinião.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Com livros e sem livros

Quando lemos os livros novos que nos chegam às mãos e de repente ficamos sem nada de novo para ler, que podemos fazer? Enquanto não compramos outros, claro...

Reler os mais antigos que existem em casa?
Não. De maneira nenhuma. Podem ter sido lidos há anos, mas mal os começarmos a folhear vai chegar-nos à ideia cada acção, cada palavra e perde a graça. Ainda que existam aqueles que não nos importamos de reler e reler, vezes sem conta. Mas essa é a ultima alternativa.

Ler, aqueles que fomos passando para trás, porque tinhamos outros?
É outra alternativa. O problema é que eles foram ficando para trás, porque não nos chamavam. Foram prendas sem conhecimento de algum conhecido desprendido, ou até heranças. E se na altura não nos chamaram, agora estão mais calados que antes.

Criar uma wish list com aqueles livros que desejamos ler?
É uma boa ideia. Obriga-nos a procurar livros para quando tivermos oportunidade de adquirir e com essa procura, temos uma forma de ler um pouquinho. É uma sinopse aqui e uma ou duas criticas ali e aos poucos, sem estar a ler um livro, vamos lendo...

E da minha wish list, fazem parte, para já:

1Q84 livro 3 - que não faço ideia quando chegará a Portugal, ainda que em e-book (em português que foi tal como li os outros dois).

Quem é que tendo lido a Sombra do Vento (entre outros do mesmo autor) vai resistir ao seguimento das aventuras de Daniel Sempere?

O mais certo é ser um romance de amor piegas e lamechas (sem ofensa, mas não é o meu tipo de leitura preferido), mas gostei tanto de ler as primeiras páginas que gostaria de ler as restantes.

Li há alguns meses a "Terceira Virgem" e fiquei cativada com a escrita de Fred Vargas. O comissário Adamberg é uma figura e tanto.
Um romance policial, com muita acção, suspense e mistério, receita a que este livro não fugirá de certeza.


E já agora todos os que existem de Camilla Lackberg, porque este eu já li e gostei:
"Teias de Cinzas", os "Diários Secretos", etc, etc.

E para terminar, mais um autor sueco: Mons Kallentoft.
Como já li este
Pode ser um qualquer dos outros:
"Anjos Perdidos em Terra Queimada"- Verão, "Segredo Oculto em Águas Turvas" - Outono e "Flores Caídas no Jardim do Mal" - Primavera.
Digam lá que os títulos não nos cativam? Agora que os ponho em wish list, apesar de estarem no final, acho que vão passar para o inicio.

Chega de wishes. E os amigos e as amigas blogueiras, também têm uma wish list? Ou na vossa wish list só constam livros que já têm, mas que ainda não puderam ler?



segunda-feira, 16 de julho de 2012

1Q84 II

Neste momento estou a ler o livro II.
Desde a altura em que comecei a ler já tinha tido tempo de o terminar e muito me custa que não seja assim, mas a falta de tempo é atroz.
É o que faz ter outros projetos além da leitura. Há que dar um pedacinho do pouco tempo a cada um e tentar conciliar os vários gostos.

De qualquer forma, li o primeiro livro com mais avidez. Era a curiosidade pelo autor, pela história. E quando o livro I chegou ao fim e me dei conta que tinha, não mais um, mas mais dois para ler, se queria conhecer o fim da história, resolvi abrandar e ler com mais calma e com mais pausas... e sabe bem da mesma forma, porque a escrita de Haruki Murakami prende-nos ainda que de quando em quando nos soltemos.

Quote:
O Livro 1 revelou a existência do mundo de 1Q84. Algumas perguntas encontraram resposta. Outras permanecem em aberto: Quem é o Povo Pequeno? Como farão esses seres para abrir caminho até ao mundo real? Existirão mesmo?, como sugere Fuka-Eri. Chegarão Aomame e Tengos a reencontrar-se? «Há coisas neste mundo que é melhor nem saber», como diz o sinistro Ushikawa. Em todo o caso, o destino dos heróis de 1Q84 está em marcha. No céu, distinguem-se nitidamente duas luas. Não é uma ilusão. Murakami descreve aqui um universo singular, que absorve, que imita a realidade, e a faz sua. A narrativa decorre em dois mundos que se cruzam, qual deles o mais real e o mais fascinante - o de 1984 e o de 1Q84. A perturbante história de um amor adiado, recortada num cenário marcado pelo desencanto e pela violência. Uma fábula sobre os dilemas do mundo contemporâneo. Murakami retrata o mal-estar da sociedade japonesa que se esconde por debaixo de uma aparente quietude.
Unquote
 
Estou a meio do livro e espero que apesar de tudo, chegue ao fim mais depressa do que cheguei aqui. E quando lá chegar, direi qualquer coisa, mas positiva de certeza.
 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Por nós...

Fotografia da autoria de Paulo Madeira - Rezarei por Ti

Há tempos num blogue, no seguimento de uma mensagem o autor da mesma escreveu que tinha uma amiga que uma vez lhe dissera: "Eu sei que não acreditas, mas à noite quando rezo, também rezo por ti."

No seguimento desta minha leitura, recordei-me de um livro que já lí há uns bons anos (muitos anos) que se chamava "Chorarei por vocês", passado algures na América Latina, se não estou em erro.
Era um livro cuja acção se situava no meio de um teatro de guerra. A presença de soldados num local longe de casa, num terreno hostil, que por um motivo qualquer levavam junto com eles uma freira de uma missão católica.
Recordo-me que a campanha não correu muito bem e um grupo restrito acaba por ficar sózinho, perdido, a procurar fuga e com eles, a freira.
Quando e, isto já quase no fim do livro, em jeito de conclusão para a acção, um deles comenta algo como: "Vamos ficar por aqui, morrer por aqui sózinhos, sem que ninguém nos encontre ou saiba de nós. Quem nos irá lamentar?"
A freira que ao longo da acção nem tinha sido muito bem tratada, afinal era um empecilho na fuga daqueles soldados, respondeu: "Eu chorarei por vocês."

Ficou-me a frase na ideia.
Ficou-me a promessa entranhada e garanto que de tudo o que acontece no livro é do que eu me lembro melhor, porque é bom sabermos que em momentos atribulados das nossas vidas, ou quando achamos que estamos sózinhos e que sózinhos temos que lutar contra a maré ou apenas caminhar, há sempre alguém que se lembra de nós.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Anatomia de um Leitor


Todos os sentidos ocupados no que mais interessa.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ler torna-nos melhores



Abre-nos a mente.
Faz-nos sonhar e conhecer pensamentos diferentes, mundos diferentes... formas diferentes de dizer coisas...

É-me muito dificil imaginar um mundo sem livros ou imaginar uma pessoa sem ler, pelo menos um livro ... ou pelo menos um capítulo... uma frase... e pensar sobre isso...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Sob o sol do meio-dia



"Não era possível que aquilo ainda ali estivesse, depois de tanto tempo a chover. A mancha persistia como se quisesse dificultar o seu esquecimento junto dos responsáveis. Como se pretendesse que quem ali passasse e não soubesse de nada, ficasse pelo menos a pensar qual seria a circunstância que a criara. Podia parar de chover, mas nem o sol que pudesse aparecer, nem os passos descuidados de quem por ali passasse a iriam desfazer. O único consolo era que apenas os intervenientes iriam ficar a saber porque estava ali aquela mancha, porque as centenas de outros que ali passassem apenas sabiam que estava ali uma mancha. Francisco franziu a testa, apertando os olhos, como se a visão estivesse a ficar desfocada de tanto fixar o ponto manchado no chão. A visão não estava desfocada, ele estava apenas preocupado com o que Alice iria dizer quando ele lhe contasse. Tinha quase a certeza de que ela não iria entender.

“Sob o sol do meio-dia, a minha vida, vivida entre passos e penas
Sob o sol do meio-dia, a minha sorte, sorteada entre segredos
Sem sol para cortar a sombra aos meus passos,
Sem vento para aligeirar as minhas penas”




“Sob o sol do meio-dia, sem vida, perdida na hora em que foi revelada

Sob o sol do meio-dia, a minha morte, morte em vida sufocada

Com sol que me mata enquanto me revela, com vento que me sufoca enquanto vivo”



A chuva parara de facto, mas o desconforto que ela provoca quando nos deixa molhados, atingira Francisco no seu interior mais profundo e nem o livro dobrado que tinha no fundo do bolso lhe trazia consolo.

Francisco enfiou as mãos nos bolsos e encolheu os ombros em desalento. Não podia fazer nada. Tudo o que fizera para não chegar àquela situação não resultara e agora de nada lhe adiantava lamentar-se.

Era o seu legado, pensou. Tinha tanto para fazer, tão pouco feito e sem ânimo para seguir em frente."

 
Às vezes não queremos dar opinião, nem queremos que tirem alguma lição do que escrevemos ou do que lemos. Queremos apenas dar a conhecer.
E por isso, publiquei esse pequeno excerto de um conto institulado "Sob o Sol do Meio-Dia".