Por muito que se leia ou que se escreva fica sempre um espaço em branco... para podermos continuar...
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Entre ler e escrever, forma-se uma apatia que me irrita
Já não é a primeira vez que publico uma mensagem no blogue, onde me queixo de não saber o que ler.
Isto é chato e receio que esteja a repetir-se vezes demais.
Eu até sei o que quero ler (mais ou menos) mas não tenho comigo os livros desejados (não sei bem quais) e então, olho para os que há uns post atrás, estavam em lista de espera e não me apetece pegar-lhes.
Iniciei "A Cidade dos Ossos" e além de ter ficado aterrorizada com a linguagem (português do brasil com uma qualidade de tradução lastimosa) fui imediatamente travada na minha tentativa de o ler com uma crítica que li. Ainda bem que a li, porque estavam o Tico e o Teco em grande esforço para transformar em frases legíveis, traduções tipo google tradutor. Este não era da lista, mas a lista também não me chama.
Li algumas páginas do Bruxos e Bruxas e... ãh? magia? um mágico malvado e uma espécie de milícia que prende quem não lhe agrada? porque fazem magia e por que mais o quê?... não concluí nada e desisti. e calhar devia ter continuado, pelo menos até à parte, onde me iriam explicar porque estavam a prender os protagonistas...
Não me apetece ler mais nada do que consta da minha lista. Queria assim, um livro daqueles que quando lemos a sinopse, ficamos em pulgas para ler o livro e corremos seca e meca para o encontrar.
Eu gosto de policiais (há um ou dois que gostaria de ler e lá terei que ir procurá-los), mas também gosto de ficção fantástica (não de toda, mas o suficiente para conseguir ler bons livros do tema).
Se alguém leu um livro, dentro destes dois géneros que acha que mais gente tem que ler, diga-me que eu agradeço.
Com tanta gente a visitar e a comentar o meu blogue, acho que é melhor deitar mãos à obra e ir à procura dos livros que sei que quero ler e pronto.
E esqueci-me de uma parte muito importante e que é a grande responsável por esta apatia na leitura. E só quem me conhece ou quem escreve, pode perceber.
Quero escrever!
Apetece-me escrever um livro. Quem diz um livro, porque de livros fala este blogue, diz uma história, um conto. Qualquer coisa onde eu crie os meus personagens, fantásticos ou não e enrede a minha acção, seja ela policial ou não. Onde crie um mundo, dentro deste mundo e faça viver nele, personagens a meu gosto.
Etiquetas:
apatia,
escrever. livros,
ficção,
ler,
personagens
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Resposta de Autora
E se alguém duvidava do bom que é fazer uma critica a um livro, directamente à sua autora, está (infelizmente como eu estava) a leste de tudo e não tem noção do bem que nos faz.
Podem ler AQUI a resposta da autora à crítica que fiz no post anterior.
Acordar ao Entardecer
de Maria de Fátima Soares.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Acordar ao Entardecer
Quando faço uma crítica a um livro que li, seja ele um livro publicado ou apenas o rascunho de uma pretensa publicação, na minha limitada capacidade de crítico, costumo focar a minha análise no enredo, nos diálogos, nos personagens e em alguns casos que me merecem destaque, na escrita. Claro que o destaque pode ser por bons ou maus motivos.
Não é que eu seja uma exímia escritora ou crítica, mas gosto de fazer críticas a livros que leio, ou não tivesse criado um blogue nesse sentido. É que, o escrever está-me na alma e então…
No caso deste livro, não vou comentar a escrita, nem me atrevo a comentar a escrita de uma autora editada, eu mera escritora de part-time.
Portanto, vou limitar-me aos outros três pontos da minha análise, expressos no primeiro parágrafo.
No que respeita ao enredo, o tema não é o meu favorito. Não me refiro a vampiros, pois até eu já escrevi três contos sobre os ditos cujos (uma tentativa pretensiosa a que chamo trilogia, apenas porque não quis perder os personagens com o final do primeiro conto). Chamo-lhes contos porque não chegam às trezentas páginas e como gosto de livros grandes (sem nada contra os mais pequenos) parece-me bem chamar contos a um livro pequeno.
O que não gosto do enredo é a história, que a meu ver é a principal – a história de amor. Não é ESTA história de amor, é que de uma forma geral eu não gosto de livros em que o enredo principal é uma história de amor.
Acho muito lamechas, demasiado fofinho… não me diz nada… Já escrevi contos com histórias de amor e até acho que certas histórias para resultarem têm que ter uma história de amor pelo meio, mas como tema principal, não é a minha onda. Isto sou eu a ser sincera e deve a autora (pessoa que conheço da blogosfera e por quem tenho um grande carinho) e quem sabe outras pessoas, pensar: “coitada, tem uma falha qualquer…” Pois se calhar tenho e é por isso que não consigo ler Nicholas Sparks ou Nora Roberts ou Danielle Steel. A sorte é que este livro é uma história de amor, mas lá por trás tem as rivalidades centenárias entre clãs de vampiros e isso ajudou-me a continuar a ler. Se calhar se não fosse sobre vampiros, a autora também não a tinha escrito.
Continuemos: gostei dos diálogos (não dos diálogos entre Diogo e Lisa – complementam a tal historia de que não gosto e eles até se pressentem e ouvem um ao outro à distância, por isso não os achei importantes). Gostei dos diálogos entre Diogo e os outros vampiros, em especial entre ele e Virgílio. O palavreado, as teimas, as espécies de brigas em palavras, porque se fossem físicas dariam mau resultado e isso leva-me ao ponto principal da minha adoração: adorei Virgílio. O tipo seguro de um poderoso caçador de vampiros que por amor (pela irmã) se dá com eles. Se eu escrevesse sobre um tipo de personagem semelhante, seria assim, mas seria o personagem principal que eu iria apaparicar e dar em deslumbramento para quem lesse, ao longo de todo o livro, abafando todos os outros.
Já deve ter dado para perceber que não gostei do Diogo. A autora fez um bom trabalho (não precisa que eu lho diga de certeza) apresentando-o com as suas dúvidas, as suas lutas e as suas teimosias de vampiro com todos os defeitos de humano. Como se o update físico da transformação prevalecesse ao refinamento de carácter, que não teve.
Dos personagens femininos, a Lisa, apesar de tudo, não me diz nada e gostei da Soraia. Segura, poderosa e após todo um sofrimento de amor, pronta para o que desse e viesse.
Quando achava que o livro ia acabar assim, uma história em que o amor vencia, mesmo ensombrado pelo horroroso Asim que a qualquer momento podia aparecer (porque não há meio de morrer de vez, só para nos irritar :)), a autora deu a volta à coisa e com um final sublime, fez com que eu terminasse o livro com a sensação de que apesar da história de amor (a tal neura minha) tivesse valido a pena ler o livro: mata os personagens principais quase todos! Ah, mulher de garra! Apaparicou-os um livro inteiro, com a exceção de Bernardo-filho que foi apaparicado menos tempo, pelos motivos óbvios e pimba, no final, acaba-lhes com a raça.
Abriu as portas a um seguimento que deve ser muito mais sangrento e menos amoroso, penso eu sempre com a minha tal falha a prevalecer.
Em resumo: gostei de ler o livro, de ler a autora, mas isso, acho que a autora já sabia e estou pronta para ler outro. Pedi um conselho, conforme pedira para o primeiro que foi este.
Para um resumo em tópicos diria que gostei de Virgílio que me encheu as medidas e do final que me atingiu a alma.
Não gostei das amorosidades entre Diogo e Lisa, apesar de serem o motivo do livro.
E posso aproveitar para comentar só mais uma coisinha, coisinha salvo seja: muito sexo, muito explicito, muito, muito… Não em excesso que isso foi uma escolha da autora e quem sou eu para criticar o que os outros decidem, mas apenas muito, bastante. Não deixou a coisa por caneta alheia e acho que pouco ficou por dizer.
Só comento este ponto que não me fez qualquer diferença, apenas para confessar uma coisa. Na altura em que me iniciei como escritora para mais alguém ler que não eu, uma das primeiras críticas que me fizeram, foi que os meus personagens eram muitos castos e que faltava sexo nas histórias. Alterei (ligeiramente) as coisas e aprecio quem tem a capacidade de não deixar essa parte por dizer.
Espero que à autora tenha agradado a minha honestidade, porque se dissesse outras coisas estava só a querer alindar e não sou assim.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Os Doze
Sendo este livro o segundo da série A Passagem, vamos reencontrar o mesmo problema que o mundo enfrentou no primeiro: os virais.
Vamos reencontrar personagens que julgávamos mortas e saber que morreram outros de que nem nos lembrávamos mais. E ver que estavam interligados uns com outros, de alguma forma.
Uma das partes interessantes, é que o autor nos mostra o que aconteceu com alguns personagens do livro anterior a quem não demos (eu não dei) muita importância na altura: um deles é a mulher do agente Wolfgast que vai ter um papel importante, ainda que quase inconsciente no enredo do segundo livro, só se apercebendo dele no final.
Ficamos a saber o que aconteceu nas semanas imediatamente a seguir à fuga das Cobaias do Centro de Experiências e como algumas pessoas viveram aqueles dias e o que fizeram para fugir deles.
Conhecemos as origens de alguns dos soldados que Peter e o seu grupo encontrou quando fugiram do Refugio e a atuação, algo diferente dos virais, quando "controlados" por homens sedentos de poder e de imortalidade que como acontece em situações destas, se aproveitam das tragédias para impor regimes tiranos e ditatoriais sobre os mais indefesos.
A parte final do livro é ocupada com a destruição dos Doze. As Doze cobaias que tinham fugido do Centro: cada uma delas sendo a cabeça de milhares de virais.
No primeiro livro um dos Doze é destruído e agora um décimo segundo se junta ao grupo, mas para o destruir. Mais não vou dizer ou deslindo toda a trama.
Neste livro o autor falou muito pouco de Zero, a primeira cobaia, e quando falou dela no final deu a entender que ela estava activa. Não era nenhum dos Doze, portanto, significa que temos material para o terceiro livro de que se tem falado.
Gostei muito do primeiro e de tal modo que me fez querer ler o segundo, mas confesso que com uma certa curiosidade, mas certa de que a coisa vai ser a mesma, a luta contra os virais, agora controlados pelo Zero que pelo visto controla virais e não só , não vou ler o terceiro.
Gostei do grupo que conhecemos no primeiro livro Peter, Alicia, Hollis, Sara, Michael e Amy (a Garota de Lugar Nenhum), e lutei com eles as suas lutas, mas não quero saber mais.
Assim como assim, vão continuar a lutar contra virais até morreram, ou até acabarem com eles, por isso a coisa há de ser semelhante.
Etiquetas:
destruição,
doze,
epidemia,
sangue,
virais
domingo, 29 de setembro de 2013
Quando Lisboa Tremeu
Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do Rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis.
De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros.
E vamos passar uma semana, os primeiros dias mais aprofundados, na companhia destas personagens. De vez em quando encontram-se todos, outras vezes estamos com uns dois ou três de cada vez, à medida que os acontecimentos os levam a ser protagonistas.
Foi uma leitura leve e boa. Alindado ao gosto do autor, ficamos a saber como foi o Grande Terramoto, como as pessoas que o sofreram reagiram e como se aproveitaram dele para fazer vingar os seus desejos de liberdade, de escape às condenações mais atrozes e como, com ele, se reencontraram com o seu passado (em alguns casos claro).
Gostei mas tenho alguns reparos a fazer, ou não fosse eu uma má língua, a dizer mal de quem escreve e tem a sua escrita reconhecida. Mas como é para isso (também) que os leitores servem, aqui vai:
Acho que o autor gosta muito de criar personagens por quem todas as mulheres (e neste caso, pelo visto, homens) se interessem. Cada autor cria nos seus personagens os defeitos ou virtudes que mais lhes agradam, e este (defeito ou virtude) parece-me que lhe agrada muito.
Santamaria (alcunha do pirata personagem principal, de quem só conheceremos o nome verdadeiro no final - o autor assim quis e eu acho muito bem e não o vou trair. Já me basta criticar), é um autêntico macho latino, sedutor, engatatão. Ele são prostitutas, ele é um árabe que o prendeu e lhe dá a liberdade a troco de favores sexuais (só saberemos deste fato mais tarde), ele é uma suposta freira, uma ex-escrava, enfim.
O rol é tal que acho que o padre Malagrita tinha a sua razão quando dizia que Lisboa era um antro de luxuria e perversão, tal como Sodoma e Gomorra, chegando a dizer que o terramoto era um castigo divino.
(O padre Malagrita acabou mais tarde por ser condenado por Sebastião Carvalho e Melo, nessa altura Marquês de Pombal e acabou por morrer na fogueira - um dos últimos condenados ao fogo da Inquisição. Embora esta parte não seja relatada no livro, não é difícil imaginar que assim seria porque os atritos entre os dois aquando do terramoto são bens explícitos: o Ministro a querer tomar em mãos o resolver imediato da situação com forças de segurança que além de servirem para evitar que as pessoas saíssem de Lisboa, serviriam para distribuir alimentos aos desalojados e socorrer os feridos, e o padre a querer fazer procissões e rezar terços para aplacar a fúria divina.A mim também me irritou um pouco, mas não iria mandá-lo queimar por isso.)
Avancemos. Como disse antes, o padre estaria com razão no seu ponto de vista sobre a imoralidade de Lisboa e digo isto porque no meio do caos em que se vivia, no espaço de uma semana nem tanto, entre escapar ao terramoto, ao maremoto e aos incêndios que se seguiram e à fuga da prisão (sem contar com os relatos da vida de cada um, anteriores ao terramoto), esta gente (os personagens que dos outros não sabemos) aproveitava cada bocadinho dos dias e das noites para dar vazão aos seus desejos sexuais: Santamaria com a freira, com a escrava e de novo duas vezes com a freira; a freira por sua vez além de Santamaria, teve como parceiro o inglês e uma freira lésbica, o inglês que além da freira, ainda se deitou com a ex-escrava e não houve mais porque a dada altura foram todos apanhados e acabou-se a loucura.
Além deste excesso de relações sexuais que talvez fossem justificadas pela necessidade de aliviar o sofrimento que se vivia (isto sou eu a ser irónica) o livro só peca por um rol enorme de todos os monumentos e edifícios de tombaram vitimas do terramoto e dos incêndios. Acho que a grandiosidade do desastre podia ter sido dada a conhecer, sem relatar tipo lista, cada um dos desabamentos e queimadas.
São opiniões e este blogue serve para isso. De qualquer forma, é muito bom de ler, ficamos com uma ideia do que se passou naquele momento fatídico da nossa história e de como as várias personagens envolvidas lidaram com a terrível situação e leva-nos a pensar como reagiríamos nós em catástrofe semelhante, não porque o tipo de narração nos convide, mas porque nós, como meros seres humanos, nos levamos a pensar nisso.
De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros.
E vamos passar uma semana, os primeiros dias mais aprofundados, na companhia destas personagens. De vez em quando encontram-se todos, outras vezes estamos com uns dois ou três de cada vez, à medida que os acontecimentos os levam a ser protagonistas.
Foi uma leitura leve e boa. Alindado ao gosto do autor, ficamos a saber como foi o Grande Terramoto, como as pessoas que o sofreram reagiram e como se aproveitaram dele para fazer vingar os seus desejos de liberdade, de escape às condenações mais atrozes e como, com ele, se reencontraram com o seu passado (em alguns casos claro).
Gostei mas tenho alguns reparos a fazer, ou não fosse eu uma má língua, a dizer mal de quem escreve e tem a sua escrita reconhecida. Mas como é para isso (também) que os leitores servem, aqui vai:
Acho que o autor gosta muito de criar personagens por quem todas as mulheres (e neste caso, pelo visto, homens) se interessem. Cada autor cria nos seus personagens os defeitos ou virtudes que mais lhes agradam, e este (defeito ou virtude) parece-me que lhe agrada muito.
Santamaria (alcunha do pirata personagem principal, de quem só conheceremos o nome verdadeiro no final - o autor assim quis e eu acho muito bem e não o vou trair. Já me basta criticar), é um autêntico macho latino, sedutor, engatatão. Ele são prostitutas, ele é um árabe que o prendeu e lhe dá a liberdade a troco de favores sexuais (só saberemos deste fato mais tarde), ele é uma suposta freira, uma ex-escrava, enfim.
O rol é tal que acho que o padre Malagrita tinha a sua razão quando dizia que Lisboa era um antro de luxuria e perversão, tal como Sodoma e Gomorra, chegando a dizer que o terramoto era um castigo divino.
(O padre Malagrita acabou mais tarde por ser condenado por Sebastião Carvalho e Melo, nessa altura Marquês de Pombal e acabou por morrer na fogueira - um dos últimos condenados ao fogo da Inquisição. Embora esta parte não seja relatada no livro, não é difícil imaginar que assim seria porque os atritos entre os dois aquando do terramoto são bens explícitos: o Ministro a querer tomar em mãos o resolver imediato da situação com forças de segurança que além de servirem para evitar que as pessoas saíssem de Lisboa, serviriam para distribuir alimentos aos desalojados e socorrer os feridos, e o padre a querer fazer procissões e rezar terços para aplacar a fúria divina.A mim também me irritou um pouco, mas não iria mandá-lo queimar por isso.)
Avancemos. Como disse antes, o padre estaria com razão no seu ponto de vista sobre a imoralidade de Lisboa e digo isto porque no meio do caos em que se vivia, no espaço de uma semana nem tanto, entre escapar ao terramoto, ao maremoto e aos incêndios que se seguiram e à fuga da prisão (sem contar com os relatos da vida de cada um, anteriores ao terramoto), esta gente (os personagens que dos outros não sabemos) aproveitava cada bocadinho dos dias e das noites para dar vazão aos seus desejos sexuais: Santamaria com a freira, com a escrava e de novo duas vezes com a freira; a freira por sua vez além de Santamaria, teve como parceiro o inglês e uma freira lésbica, o inglês que além da freira, ainda se deitou com a ex-escrava e não houve mais porque a dada altura foram todos apanhados e acabou-se a loucura.
Além deste excesso de relações sexuais que talvez fossem justificadas pela necessidade de aliviar o sofrimento que se vivia (isto sou eu a ser irónica) o livro só peca por um rol enorme de todos os monumentos e edifícios de tombaram vitimas do terramoto e dos incêndios. Acho que a grandiosidade do desastre podia ter sido dada a conhecer, sem relatar tipo lista, cada um dos desabamentos e queimadas.
São opiniões e este blogue serve para isso. De qualquer forma, é muito bom de ler, ficamos com uma ideia do que se passou naquele momento fatídico da nossa história e de como as várias personagens envolvidas lidaram com a terrível situação e leva-nos a pensar como reagiríamos nós em catástrofe semelhante, não porque o tipo de narração nos convide, mas porque nós, como meros seres humanos, nos levamos a pensar nisso.
domingo, 22 de setembro de 2013
A Passagem
Já percebi porque me falham sempre os propósitos de ler livros pela ordem que me proponho quando os tenho: aparece sempre um novo que se mete pelo meio.
Independentemente do tema ser do interesse geral, ou não, o autor consegue prender-nos à narrativa e deixar-nos à espera de saber mais. É magistral o apresentar dois grupos com o mesmo destino, viajando de formas diferentes e o sabermos primeiro o que sucede com o segundo grupo a chegar, para ficarmos desejando saber o que aconteceu quando o primeiro chegou. Faz isto ao longo do livro e leva-nos a reencontrar personagens que julgamos perdidos para sempre e a dar como perdidos alguns que julgávamos tinham ficado em algum lugar.
E chegamos ao final do livro, sem saber o que aconteceu ou vai acontecer e desejando ler o livro seguinte para saber...
Sinopse - A Passagem - A Passagem - Livro 1 - Justin Cronin
Quase um século depois que uma pesquisa científica financiada pelo Exército dos Estados Unidos foge do controle, tudo o que resta é uma paisagem apocalíptica. As cobaias utilizadas nos experimentos – prisioneiros a caminho do corredor da morte – escaparam do laboratório e iniciaram uma terrível carnificina, alimentando-se de qualquer ser com sangue nas veias e espalhando por todo o continente o vírus inoculado nelas.
Um em cada 10 habitantes pode ter sido infectado. Os outros nove se tornaram presas desses virais, criaturas animalescas extremamente ágeis e fortes cujos únicos pontos fracos parecem ser a hipersensibilidade à luz e uma pequena área frágil próxima ao esterno.
Em uma fortificação construída nas montanhas, cercada de muralhas de cimento e holofotes super potentes, uma comunidade tenta sobreviver aos constantes ataques nocturnos. Mas a precária estrutura que a protege está com os dias contados: as baterias que alimentam as luzes começam a falhar e uma invasão é iminente.
Não se sabe o que aconteceu ao resto do mundo: a comunicação foi cortada, não há governo e o Exército nunca cumpriu a promessa de voltar. Provavelmente estão todos mortos. Mas a chegada de uma misteriosa andarilha traz novas expectativas: ao que tudo indica, ela tem as mesmas habilidades dos virais, mas não sua necessidade de sangue. Agarrando-se a essa esperança, um grupo parte da Colónia para buscar mais sobreviventes – e a verdade fora dos muros.
Com uma narrativa tensa e bem-estruturada, Justin Cronin constrói personagens de complexidade psicológica surpreendente. Na transição do mundo que conhecemos para um que não poderíamos imaginar encontra-se uma humanidade sitiada pelos próprios erros.
É curioso que, embora goste de ver filmes sobre futuros próximos durante ou após catástrofes, epidemias ou o que seja do género, raramente me preocupo em procurar livros sobre esses temas. Acho que tenho receio que me desiluda ou que o livro não seja tão espectacular como o filme (só neste tema, porque ninguém me verá trocar um livro por um filme, qualquer que seja).
Por mero acaso, nem me recordo se foi em algum blogue, deparei-me com esta sinopse, li as primeiras páginas e decidi que tinha que ler o livro.
E li. Não ultrapassei nenhum recorde de leitura, mas interrompi um que começara e em uma semana e apenas em alguns pedaços livres, mas eficientes, li o livro.
O primeiro parágrafo da sinopse refere-se ao inicio do livro e nós começamos a dedicar-nos aos personagens apresentados nesta parte. Mas a dada altura, o tempo passa apressado, urgente, e somos apresentados a uma nova época na triste história desta humanidade e todo o resto do livro é passado com novos personagens.
Personagens esses que nos são apresentados de uma forma cativante pelo autor e os iniciais que achávamos eram os únicos sobre quem queríamos ler, passam para um segundo plano e são estes agora, magistralmente apresentados que nos interessam e a quem nos dedicamos.
Independentemente do tema ser do interesse geral, ou não, o autor consegue prender-nos à narrativa e deixar-nos à espera de saber mais. É magistral o apresentar dois grupos com o mesmo destino, viajando de formas diferentes e o sabermos primeiro o que sucede com o segundo grupo a chegar, para ficarmos desejando saber o que aconteceu quando o primeiro chegou. Faz isto ao longo do livro e leva-nos a reencontrar personagens que julgamos perdidos para sempre e a dar como perdidos alguns que julgávamos tinham ficado em algum lugar.
E chegamos ao final do livro, sem saber o que aconteceu ou vai acontecer e desejando ler o livro seguinte para saber...
Só lamento ter lido uma versão em português brasileiro. Não me desiludiu na leitura, mas desconsolou-me com a escrita. Nada que não se ultrapasse dado o suspense de todo o livro.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Inferno
"Procura e encontrarás"
É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.
Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.
Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…
Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.
É com o eco destas palavras na cabeça que Robert Langdon, o reputado simbologista de Harvard, acorda numa cama de hospital sem se conseguir lembrar de onde está ou como ali chegou. Também não sabe explicar a origem de certo objeto macabro encontrado escondido entre os seus pertences.
Uma ameaça contra a sua vida irá lançar Langdon e uma jovem médica, Sienna Brooks, numa corrida alucinante pela cidade de Florença. A única coisa que os pode salvar das garras dos desconhecidos que os perseguem é o conhecimento que Langdon tem das passagens ocultas e dos segredos antigos que se escondem por detrás das fachadas históricas.
Tendo como guia apenas alguns versos do Inferno, a obra-prima de Dante, épica e negra, veem-se obrigados a decifrar uma sequência de códigos encerrados em alguns dos artefactos mais célebres da Renascença - esculturas, quadros, edifícios -, de modo a poderem encontrar a solução de um enigma que pode, ou não, ajudá-los a salvar o mundo de uma ameaça terrível…
Passado num cenário extraordinário, inspirado por um dos mais funestos clássicos da literatura, Inferno é o romance mais emocionante e provocador que Dan Brown já escreveu, uma corrida contra o tempo de cortar a respiração, que vai prender o leitor desde a primeira página e não o largará até que feche o livro no final.
Se ainda não tinham pensado em visitar Florença, depois de lerem Inferno de Dan Brown vão sentir vontade de visitar.
Inferno é um guia turístico na verdadeira acepção da palavra. Uma escrita muito leve e muito agradável, é o livro de Dan Brown mais fácil de se ler, sem a exaustiva explicação técnica e cientifica dos outros e consegue deixar-nos desejosos de visitar as três cidades retratadas no livro: Florença, Veneza e Istambul, mas é também o livro mais fraco dos que já li.
A acção propriamente dita, resume-se a dez por cento do livro, intercalada na apresentação turística.
Apesar de uma acção curta, esta centra-se num dos temas mais discutido pelos cientistas e OMS (Organização Mundial de Saúde) - o excesso de população. Neste momento, somos quase 7 biliões de pessoas no planeta e representamos, segundo alguns cientistas, uma catástrofe. A terra com os seus ecossistemas não suporta tanta gente e brevemente os recursos indispensáveis à nossa sobrevivência, irão esgotar-se.
E alguém decide resolver este assunto por suas próprias mãos.
Num prazo curto e ao mesmo tempo desconhecido, cabe a Robert Langdon e mais umas quantas personagens impedir essa resolução.
O curioso do livro é que as pessoas que são contra soluções radicais levadas a cabo, por outros, para resolver certos problemas, são exatamente as mesmas a não fazer nada ( e diria até a aceitar essas soluções) quando essas soluções radicais não lhes tocam na hora, mas irão surtindo efeito em um futuro próximo, com a justificação de que já está feito e tudo o que se fizer agora, poderá ir piorar.
E voltamos ao uma das máximas do livro que é apresentada vezes sem conta: os piores castigos do inferno estão reservados para aqueles que sabendo das coisas, nada fazem.
O curioso do livro é que as pessoas que são contra soluções radicais levadas a cabo, por outros, para resolver certos problemas, são exatamente as mesmas a não fazer nada ( e diria até a aceitar essas soluções) quando essas soluções radicais não lhes tocam na hora, mas irão surtindo efeito em um futuro próximo, com a justificação de que já está feito e tudo o que se fizer agora, poderá ir piorar.
E voltamos ao uma das máximas do livro que é apresentada vezes sem conta: os piores castigos do inferno estão reservados para aqueles que sabendo das coisas, nada fazem.
Etiquetas:
dan brown,
dante,
inferno,
população,
sobrepovoamento
Subscrever:
Mensagens (Atom)






