quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Não se Esqueça de Paris




Tudo começa com uma carta.
Eve Pethwork é uma inglesa insegura e um tanto ansiosa que está assoberbada com os preparativos para o casamento da filha. Eve tem mais de quarenta anos e vive enclausurada em sua casa, pois espaços públicos lhe provocam angústia e a interação com outras pessoas é difícil para ela. 
Jackson Cooper é um escritor bem-sucedido que vive nos Estados Unidos. Apesar de estar sempre rodeado por pessoas, especialmente mulheres, vive em eterna crise amorosa. Enquanto tenta colocar seu relacionamento com a nova namorada nos trilhos, Jackson vive o maior bloqueio criativo de sua carreira. Sem rumo para o novo livro, começa a questionar suas escolhas e suas expectativas para o futuro.
Vencendo sua própria timidez, Eve decide escrever uma carta para Jackson, seu autor preferido, elogiando uma cena narrada em um de seus livros. Embora esteja acostumado com o assédio das fãs, ele é atraído pelas palavras de Eve e decide responder sua mensagem. A partir daí uma troca de mensagens surge entre eles.
A criatividade que falta a Jackson nas páginas em branco acaba sendo canalizada para a cozinha, onde passa horas preparando os mais diferentes pratos. Porém, para sua frustração, sua namorada é vegetariana e ele quase sempre é obrigado a degustar suas criações sozinho. Só que ele logo descobre que a culinária também é uma das paixões de Eve e o amor pela boa-mesa estreita ainda mais os laços entre os dois.
Apesar da distância e de não terem aparentemente nada em comum, a curiosidade fala mais alto e Jackson decide marcar um encontro com Eve. Como vivem em continentes diferentes, ele propõe como cenário a cidade de Paris, a Meca da gastronomia – e dos amantes. Eve é então colocada em xeque, sendo desafiada a vencer todos os seus medos em nome daquilo que pode ser a história de amor com a qual sempre sonhou.
Não se esqueça de Paris mostra que todos têm uma chance de ser feliz, independente da idade, da distância e dos próprios fantasmas. Considerado “Absolutamente perfeito”, pelo The New York Times e com os direitos para o cinema vendidos para a BBC, Não se esqueça de Paris mistura cartas, gastronomia e uma narrativa leve e repleta de sentimentos. Uma receita sedutora.


E poderia ficar por aqui,  porque esta sinopse diz tudo, ou pelo menos quase tudo.

Pela capa que achei maravilhosa e pelo título, decidi-me a ler a sinopse, pois há livros que só por estes dois factores me travam, e aí pensei, olha, mais um romance daqueles em que os protagonistas se escrevem, e um dia mais tarde, muito mais tarde encontram-se e são perfeitos um para o outro e ficam felizes para sempre, como há tantos filmes do género e este deu um filme ou vai dar. 

Mas ainda assim e apesar de, já várias vezes disse, não gostar de livros em que a história de amor é o assunto principal, comecei a ler. E não me arrependi. O amor não é o prato principal, o amor é apenas um condimento, e nem é o mais importante, neste livro, em que a troca de correspondência entre os dois é o prato mais forte. Trocam receitas, trocam opiniões e a dada altura até desabafam sentimentos não de um pelo outro, mas da vida de cada um e o livro torna-se agradável de ler e até saboroso, se considerarmos que a troca de informações culinárias é magnifica, entre dois estranhos.
E o encontro delineado desde quase o inicio da troca de cartas é marcado e aí eu voltei a pensar, lá vão eles estragar tudo e encontrar-se. Não, não estragaram tudo, de forma nenhuma.

A conclusão é curta, imprevisível (ou não) e deliciosa e confirma porque o livro não sendo magnifico dentro da literatura, é um muito agradável de ler, dentro do género.

Curiosidade: No final do livro, são-nos facultadas algumas das receitas que foram trocadas entre os dois.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Há problemas e problemas...



E estes problemas adensam-se quando para além dos que temos para ler, aparecem aqueles que ainda não temos e queremos ler:

O Peregrino de Terry Hayer (a sair dia 26 de Outubro)



As Gemeas do Gelo de S.K.Tremayne

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Marina

«Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos.» «À medida que avançava na escrita, tudo naquela história começou a ter sabor a despedida e, quando a terminei, tive a impressão de que qualquer coisa dentro de mim, qualquer coisa que ainda hoje não sei muito bem o que era, mas de que sinto falta dia a dia, ficou ali para sempre.» Carlos Ruiz Zafón «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»


Mais uma vez a escrita de Carlos Ruiz Zafón leva-nos pelas ruas esquecidas de Barcelona. Ruas esquecidas de épocas passadas, ao encontro do casario decrépito, onde, por encanto, há vida. Vida essa que nos puxa, nos arrasta e nos envolve em histórias que passados tempos nos esquecemos que as vivemos e são como lembranças que de quando em quando nos tocam.

Tal como nos outros livros do autor que já li há um amor pela Barcelona mais antiga que se deixa transparecer, à medida que o personagem percorre as suas ruas à busca de aventuras. E elas estão lá, à espera, à nossa espera.
A melancolia com que a ação nos é apresentada, apenas suplantada pelo mistério, agarra-se a nós e quando a leitura termina, ficamos parados, perdidos, mas cheios!
É assim que eu gosto de terminar a leitura de um livro. Com a sensação de que o que li, foi vivido e não me importava de voltar a viver!

Bem preparado, dava um filme ao estilo de O Fantasma da Ópera, com direito a teatros decrépitos a arder e a vilões terríveis a serem destruídos por esse mesmo fogo, enquanto os personagens principais depois de fugas e lutas desesperadas sobrevivem... pelo menos àquela destruição... às outras posteriores, físicas ou psicológicas não irão escapar.

Se são fãs do autor, dou-vos os meus parabéns, porque ele merece todos. Se ainda não leram, não levem tanto tempo quanto eu levei e atirem-se à magia deste livro.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Convite





Tenho a honra de convidar para o lançamento do livro Linhas Entre Nós, que será apresentado no dia 19 de setembro, sábado, às 16H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero – Rua Gomes de Amorim, 12 – 2710-569 Sintra.
A sessão será enriquecida com atos culturais e recreativos, seguida de “uma jeropiga de honra”.

J. A. Marcos Serra (j.a.marcosserra@gmail.com)

Informações complementares:
- estacionamento gratuito no Largo dos Serviços Municipalizados (frente às Finanças e ao SMAS), ou entre o Centro Cultural Olga Cadaval e a Biblioteca, na rua Câmara Pestana.
- confluência a partir das 16H00
- não é necessário imprimir o Convite

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Quando a inspiração vem em forma de outono...




Acho que há tempos, muitos, escrevi aqui que a inspiração para os meus contos (que não me atrevo a chamar livros ao que escrevo), vem de um personagem, de um estado de espírito ou de uma situação, pontuais.

Mas, com a chegada do Outono que nos bate à porta, dou-me conta que a minha inspiração vem em forma de estação do ano.

Os dias mais curtos e os fins de tarde frescos, que neste fim de semana, se apresentaram cinzentos e chuvosos em alguns períodos de tempo, deu-me que pensar.

Era capaz de iniciar um novo conto, pensando em dias deste tipo, tão somente soubesse o que iria escrever quando esse dia passasse.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Tempo Entre Costuras



«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.



Quando em 2009, este livro foi lançado e andou falado pelos meios informativos ao nosso alcance, pensei que era um livro que queria ler.
Mas porque não o comprei logo, porque não tive quem o emprestasse e porque meti outros à frente, fui perdendo aquele interesse inicial.
Andou sempre pelas minhas wish lists de leitura, mas por algum motivo, havia sempre algum que se metia pela frente.
Que desperdício!!
Tantos anos para pegar neste livro e ler!

É do melhor que ultimamente li. Um romance de amor e traições (nem todas de amor) uma pequena enciclopédia sobre o estado do mundo e de Espanha antes e durante a guerra civil e a  II Grande Guerra e um vaivém de espiões e agentes secretos. Tudo apresentado de uma forma tão interessante que não nos dá o aborrecimento de livros de história, nem a moleza de romances de amor e o amor está lá. E é assim que eu gosto de o ler, fazendo parte da narração, sem sem a parte principal!
A narrativa é tão viva que não querendo comparar um livro com um filme, faz-nos recordar aqueles bons filmes de espiões e agentes secretos em que nos sentimos parte integrante da história que apresenta. E com este livro, acontece isso, estamos lá. Não contribuímos para nada, mas estamos lá, na acção, na primeira fila.

O tipo de escrita é leve, fluido, apelativo e quando temos que por o livro de parte, para outros afazeres, ficamos desejando recuperá-lo para continuar a ler. E isto, meus amigos, é o supra sumo da leitura! É assim que um livro nos deve fazer sentir.

Não vou falar dos personagens, porque não tenha nada a dizer, está tudo dito no livro! Por isso, leiam se ainda não leram. Não percam o tempo que eu perdi e se só agora ouviram falar, aproveitem!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O Jardim de Ossos


Boston, 1830. Para pagar seus estudos, Norris Marshall, um estudante de medicina talentoso, mas sem recursos financeiros, integra as fileiras dos “ressurreicionistas” — saqueadores de tumbas que negociam cadáveres no mercado negro. Contudo, até mesmo esse mórbido comércio parece insignificante diante do corpo mutilado de uma enfermeira encontrado no terreno do hospital universitário. Quando um médico conceituado sofre o mesmo destino, Norris descobre que seu ganha-pão ilícito o transformou no principal suspeito dos crimes.
Para provar sua inocência, o estudante precisa encontrar a única testemunha que viu o assassino: Rose Connolly, uma bela costureira dos cortiços de Boston. Ao lado do sarcástico e inteligente jovem Oliver Wendell Holmes, Norris e Rose vasculham a cidade em busca de um maníaco que aguarda a próxima oportunidade para matar.

Massachusetts, dias atuais. Julia Hamill fez uma descoberta terrível em sua nova casa no interior: um crânio enterrado no jardim. Humano, feminino e, de acordo com a patologista Maura Isle, com traços inconfundíveis de um homicídio. Quem quer que tenha sido ou o que tenha acontecido com aquela mulher, é algo perdido no passado.
Com suspense incansável e uma perfeita reconstituição de época, O jardim de ossos intercala habilmente a história de protagonistas dos séculos XIX e XXI, desvendando os mistérios obscuros através do tempo e do espaço. Forte, sangrento e brilhante, confirma o talento primoroso de Tess Gerritsen.

E parece de propósito, mas foi por mero acaso, acabei a ler e de ler, mais um livro onde o passado e presente se misturam e nos são dados vislumbres de um e de outro. A única diferença, com o livro anterior, é que o presente são apenas vislumbres para nos aguçar a curiosidade, já que a verdadeira história é toda do passado.

À medida que Julia e Henry deambulam por entre cartas antigas e recortes de jornais, vão tomando conhecimento de uma história do século XIX, e a mesma é-nos apresentada, como se fosse e sendo a parte principal do livro. Concluo que o presente é apenas para se tornar interessante e para dar um quinhão de maravilhoso ao final com uma descoberta curiosa, porque a história de Norris, Rose e do Estripador era suficiente para o livro todo.

Perdeu-se um pouco, em certas alturas, porque pelo formato e-book, alguns parágrafos não estavam devidamente separados, mas depois de ler uma linha, ficávamos integrados na narração.

Se gostam de Tess Gerritsen e não conhecem este livro, aconselho a sua leitura, apesar de algumas cenas mais duras. Se não conhecem é um bom livro para começar.