quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desaparecida

Emma Tupper não existe mais. E por que não, então, inventar uma nova Emma Tupper? “Só poeira. É como se eu tivesse sido apagada. Transformada em cinzas.” Quem nunca sonhou em recomeçar a própria vida do zero? A jovem advogada Emma Tupper vê-se diante dessa oportunidade quando volta para casa, após passar seis meses desaparecida em África. 

Surpresa, percebe que todos acreditam que ela estava... morta. Emma descobre que sua antiga vida foi apagada. O apartamento onde vivia acaba de ser alugado para um novo inquilino, o misterioso fotógrafo Dominic. No escritório de advocacia, no qual construía uma carreira brilhante com possibilidade de conseguir o cargo de sócia, a sua rival Sophie apossou-se não só de seus clientes e de sua sala, mas também de seu namorado, Craig.

À medida que vamos lendo, vamos conhecendo um pouco do que Emma viveu em África. Muito pouco, na realidade, mas se calhar a autora achou suficiente, para entendermos a falta de contacto de Emma com os seus relacionamentos, a tal ponto que foi dada como morta.

E quando Emma finalmente, regressa a casa, verifica que nada da sua vida anterior está igual. Não tem casa, porque o apartamento deixou de ser pago e foi alugado a outro, não consegue encontrar nem amigos, nem namorado, porque andam fora ou estão incontactáveis. Apenas consegue, por especial favor, por pena, que a deixem ficar na casa que outrora foi sua.

Consegue o emprego de volta, mas em condições diferentes de quando o deixou e a partir daí vai haver um desenrolar de acção com a duvida entre recomeçar pegando no fio que ficou partido ou esquecer esse fio e pegar em outra meada.

Lê-se bem pois a escrita é fácil e a acção leve, apesar de toda a aflição da personagem.

Há um enredo curto pelo meio que tem a sua graça, quando Emma consegue resolver um roubo de um quadro que custaria milhões à seguradora cliente da empresa onde trabalha, e a acção principal termina da forma que esperávamos. Este é um romance, leve, de amor, onde a autora quis misturar sentimentos diversos sobre outros temas que nunca foram devidamente explorados - o caso da vida de Emma em África durante 6 meses que a levaram a deixar de tentar contactar os amigos. Nunca percebemos muito bem como ela se entranhou numa associação de ajuda humanitária em Africa. Fala-se dos sentimentos de desagrado para com o pai que a abandonara e à mãe, anos antes e até a vemos ir ao cemitério e saber que o pai coloca flores na campa da mãe e ficamos por aí...
O principal aqui é como vai avançar a sua relação com Dominic, porque com Craig, o principio do fim foi quando ela foi para África, onde iria passar apenas um mês e concluiu quando o encontrou e soube que ele andava com outra pessoa.

Não é o meu tipo de leitura preferido, até porque não me enche, mas serviu para preencher as horas que o demorei a ler.
Podem ler que não vão morrer de excesso de adrenalina, nem de aborrecimento, já agora.

terça-feira, 22 de março de 2016

No Coração da Floresta

Algumas coisas são impossíveis de deixar para trás... Um trailer abandonado, escondido no meio de uma reserva florestal, é o único lar de que Carey se lembra. Aos 15 anos, as árvores são as guardiãs de sua vida mal-afortunada e o único ponto positivo é sua irmã mais nova, Jenessa. que depende de Carey para sobreviver. Elas só têm uma a outra, considerando que a mãe das meninas, mentalmente instável, muitas vezes desaparece por dias sem fim. Até que um dia. após um sumiço mais longo do que o habitual, dois estranhos aparecem. De repente, as duas irmãs são tiradas da floresta e levadas a um mundo novo e surpreendente de roupas novas e à medida, aulas numa escola a sério, amigos e familia. Agora Carey precisa enfrentar a verdade escondida por trás do seu sequestro, dez anos antes, assombrada por um passado que não a deixa seguir em frente... Um passado sombrio e misterioso, em que jaz o motivo de Jenessa não falar uma palavra há mais de um ano. Carey sabe que precisa proteger a irmã, assim como seus segredos, de outra forma pode colocar em risco toda essa nova vida que criou para si.


Carey e Jenessa são resgatadas por uma assistente social e pelo pai de Carey e à medida que os dias passam, Carey começa a dar-se conta de que o que a mães lhes dizia sobre os maus tratos do pai, que a fez fugir com ela para a floresta, eram na verdade mentiras.

E à medida que vamos lendo, quase nos pomos no lugar de Carey pensando, não pode ser verdade, tanta coisa boa, tanta amor, tanto carinho, mas é. E quando nos damos conta de que o resgate de Carey e de sua irmã, é mesmo um sonho a concluir o pesadelo que foram as suas vidas na floresta, passamos a dar especial interesse ao segredo que as duas escondem - o que se passou na floresta fica na floresta - e quando Carey conta ao pai o que aconteceu, não é novidade para nós. Acabamos por querer que ela conte, apenas para ser uma libertação, porque há medida que avançamos no livro, damos-nos conta do que poderia ser o segredo.

E o segredo de Carey e a reacção do pai, apenas comprova que a sua nova vida é uma vida para durar e é real.

Não é um livro pretensioso, nem complexo. Tem um história simples, apesar da dor e do sofrimento manifestado pelas duas irmãs. É daqueles livros em que nem sequer há muita confusão e tudo corre bem. Pelo menos depois de tudo o que correu mal, enquanto estiveram na floresta escondidas pela mãe. Gostei da sua simplicidade, apesar de algumas situações quase impossíveis. Se não tivesse gostado, já estava a dizer mal de várias situações apresentadas, tais como, entre outras: como é possível uma menina que foi levada para a floresta com cinco anos de idade, ter noção da necessidade de limpeza, higiene, ter estudado sózinha e aprendido matérias que aos catorze anos a colocam em classes avançadas e ainda ter ensinado a irmã de cinco a ler e a escrever, quando - e aqui é que reside a dificuldade - quando tem uma mãe toxicodependente que tem como única preocupação o seu próprio vicio? Eu sei que as bases na infância são primordiais, mas... não chegam para tanto... ou será que chegam?
Mas, e aqui a minha opinião, um escritor escreve o que bem entende, como bem entende, para dar corpo a uma história de forma que ela saia à sua maneira. Quem gostar gosta, quem não gostar, paciência. E eu gostei!

Não vou insistir para lerem dizendo que é muito bom, mas se querem uma história que acaba bem e apesar de algumas pequenas confusões, até corre bem, podem ler. Não se irão arrepender por perderem umas horas.


quinta-feira, 17 de março de 2016

Não Contes a Ninguém

Bestseller internacional é um livro de leitura obrigatória para os grandes apreciadores do thriller. Não Contes a Ninguém, marca a estreia de Harlan Coben, na Colecção O Fio da Navalha. Reconhecido autor do género policial, Coben dá vida à história de David Beck, cuja mulher foi brutalmente assassinada num lago em Nova Iorque. Oito anos depois, perto desse mesmo lago, são descobertos dois corpos. E David começa a receber e-mails que pelo conteúdo só poderiam pertencer à sua mulher. Mas que deixam expressamente escrito - Não Contes a Ninguém! Intrigado, resolve investigar, envolvendo o leitor numa trama de suspense e inquietação da primeira à última página. Imperdível!

Eu gosto de ler. Por norma, qualquer tipo de livro me serve (desde que seja bem escrito e interessante, à exceção de um certo tipo de que já falei aqui várias vezes), mas há um estilo que me cativa mais: policiais.
E este livro tem tudo.

De inicio sabemos que Dr. Beck vive em sofrimento pela morte violenta da mulher oito anos atrás. Quando, logo no inicio recebe um estranho e anónimo e-mail que lhe dá a entender que afinal a mulher está viva,e esta informação chega também aos responsáveis pela sua morte, começa tudo. 

Enquanto tenta por todos os meios, descortinar se os e-mails são reais ou provas criadas para a policia o apanhar culpado de um crime de há oito anos, já que foram encontrados dois corpos no local do assassinato, tem que fugir dos criminosos que querem através dele chegar a Elisabeth, pois tiveram igual acesso aos e-mails.

Passamos o livro a correr com Beck, em fuga pela sua vida e pela vida de Elisabeth que deseja seja real, mesmo ainda sem saber, mas não nos fartamos.

A escrita é fluída tal como a acção e em momento nenhum pensamos que estamos atolados em palavras que não nos levam a lado nenhum e lemos capitulo após capitulo, desejando chegar ao próximo.

Neste livro, tal como em muitos outros, encontramos um policia ativo e empenhado que a dada altura desconfia que as provas que fazem com que Beck seja o primeiro suspeito, são demasiado bem apresentadas. Confesso, que tenho um fraquinho por policias que chegam a estas decisões - é sempre reconfortante saber que podemos ainda, confirmar que certos agentes da lei, se preocupam mesmo, com a verdade.

E chegamos ao final. As revelações são quase as esperadas. E digo quase, porque mesmo, mesmo no final dão algumas reviravoltas.


Se gostam do género aconselho. É muito bom de se ler.

terça-feira, 1 de março de 2016

O Físico





No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Londres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos.
Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudara na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua história e o seu destino…


Tive este livro em casa, bastante tempo sem ler. Quando olhava para ele, duvidava do interesse a tal ponto que o emprestei sem me preocupar muito com o seu retorno que ainda não aconteceu,

Por mera causalidade consegui uma versão digital e guardei-o mais algum tempo no kindle sem me apressar a ler, até que há duas semanas atrás, na procura de um livro para ler, me voltei a encontrar com ele. E comecei!

E comecei tarde, devo dizer já.
É um livro magnifico. Uma história que se arrasta por uma vida inteira, desde a saíde de Robert Cole de Londres com onze anos, até ao seu regresso, desta vez à Escócia, com mulher e filhos e mais alguns anos de vida familiar.

Sempre me afligiu e invejou, a falta de conformismo que levava as pessoas (ainda leva) a largarem tudo para sofrerem horrores com viagens por terras desconhecidas para conseguirem alcançar os seus sonhos. Mas vistas as coisas, naquela altura, que perdia Robert? A vida que tinha em Londres, não era nenhuma. Era um orfão, sujeito a uma vida desgraçada, se não à morte!

E conseguindo alcançar o objetivo que o levou até à Pérsia não se ficou pelo que aprendeu, estando sempre insatisfeito e desejoso de saber mais, mesmo correndo risco de vida, num país onde qualquer quebra de leis era punida com a mais violenta morte.

Apesar de todos os anos que "vivemos" da vida de Robert Cole, a leitura deste livro faz-se num ápice, desejando ler e ler e ler, para sabermos como chegará ele ao fim, do livro, porque este termina com ele a viver plenamente e a exercer a sua vocação.

Se ainda não leram, nem sequer ouviram falar, leiam, Não percam o tempo que eu perdi, porque vale mesmo a pena.
Consta no final nos agradecimentos que desde livro apenas duas personagens se basearam em figuras que realmente existiram, mas acredito que algures no mundo, naquela época e noutras, houve um Robert Cole.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Bicho da Seda


Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa. No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais

Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...

Diz-nos também a Editorial Presença que se trata de Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor.
E é que não dá mesmo. Estamos a ler e a desejar saber mais, sem vontade de parar. Cada paragem obrigatória, é um sofrimento só acalmado pela expectativa da próxima leitura.

Já tinha gostado de Quando o Cuco Chama, mas este Bicho da Seda é, na minha opinião, cem vezes melhor.
Mais dinâmico, mais surpreendente!

A autora, mostra-nos de que não é apenas de magia e feiticeiros que se vive e que os crimes e os meandros do mundo dos escritores, têm muito mais a dizer.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

So true


Agora imaginem, quando escrevemos... e somos responsáveis por esses personagens?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Do Inferno Também se Volta


E hoje propus-me ler este livro. Decidi que tinha que lhe dar um bom avanço, já que o tinha começado há duas semanas e não lhe tinha pegado mais.
E li, li e decidi que já agora, tinha que o terminar. E terminei,

Gosto da autora. Muito. Gosto dos poemas que vou lendo ora no facebook, ora nos blogues e já li outros livros. Aprecio a pesquisa que faz para escrever, aprecio a ousadia das narrações e tudo isso, me faz gostar de ler o que escreve,

Quanto a este livro, sem saber, quando ouvi falar dele e li excertos fiquei preocupada. Preocupada no bom sentido. Pensei, ora aí está um romance de amor. Uma história de paixões desencontradas e de sofrimentos imensos e por isso nunca me atrevi a comprá-lo,

Quis o destino que o livro me fosse oferecido pela autora, conforme já disse em publicação anterior e aí, com ele na mão, nada me iria impedir de o ler.

Não gosto do tema, estou farta de o dizer, mas li,

A par de tudo o que gosto na escrita de Maria de Fátima Soares, estava lá também os amores assolapados, os sofrimentos e mantenho a minha ideia inicial - não gosto de romances de amor e nenhum livro desse tema, se tratar apenas desse tema, me vai fazer mudar de ideias.

A sorte é que a meio de uma das alturas em que Daniela sofria, sofria... a autora levou-nos até Joel e a narração do que aconteceu (que diga-se de passagem, era expectável - não digo mais par não ser spoiler). Esta narração, para mim, foi das mais interessantes do livro, pelos motivos já explicados antes. Mas infelizmente durou pouco E voltámos para Daniela e o seu sofrimento.

Que já me irritava e a sua teimosa mais tarde em não querer dar o braço a torcer. Sempre me irritou esse orgulho nas pessoas. Não ganham nada com isso e perdem mais ainda.

Acaba bem, da forma que de certeza todos esperavam que acontecesse ou não desejassemos todos um final feliz nas histórias de amor. Para mim, no meu caso se escrevesse este tipo de história, não diria tudo, dava a entender o final feliz e ficava-me por ali... cada um que imaginasse e idealizasse à sua vontade. Mas também, eu não tenho ao ousadia que a autora tem, com certos pormenores!

Se gostam do género, vão gostar deste de certeza. Por isso, amigos leitores, se puderem, leiam!