sábado, 14 de agosto de 2010

Perto de Ti


Catherine foi atacada por um intruso na sua própria casa. Alguém a atirou por umas escadas abaixo, deixando-a muito ferida e condenando-a a uma longa permanência num leito de hospital. Dois homens muito diferentes parecem decididos a descobrir a verdade sobre o que aconteceu.

Uma história de mistério de fácil leitura.
É aquele tipo de narrativa que apresenta algumas das situações, sem precisar exactamente de justificar como chegou até elas. Às vezes sabe bem, numa leitura ou numa escrita, isso acontecer. Chegou-se aquela acção e pronto, não precisamos justificá-la para o desenrolar da acção ter lógica.
É o exemplo daquelas situações que acontecem neste livro e para as quais achamos que com o desenrolar do enredo, iremos descobrir o como, porquê e quem e no final são-nos justificadas pelas próprias personagens, que resolvem redimir-se e ir confessar-se à personagem principal.
Mesmo no final, somos surpreendidos com a revelação do culpado, quando se tenta ligar todos os minutos do ataque à personagem principal. Ataque esse que dá inicio à narrativa com a vitima já hospitalizada e sem memória pormenorizada do que aconteceu.
Se gostam de histórias de mistério, sem demasiada exigência é uma boa história.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mataram o Sidónio



Sinopse
O assassínio do Presidente da República Sidónio Pais, ocorrido em 1918, é um mistério. Apesar de a polícia ter prendido um suspeito, este nunca foi julgado. A tragédia ocorreu quando Lisboa estava a braços com a pneumónica, a mais mortífera epidemia que atravessou o séc. XX e, ainda, na ressaca da Primeira Guerra Mundial. A cidade estava exaurida de fome e sofrimento. É neste ambiente magoado e receoso que Sidónio Pais é assassinado na estação do Rossio em Dezembro de 1918.
Francisco Moita Flores constrói um romance de amor e morte. Fundamentado em documentos da época, reconstrói o homicídio do Presidente-Rei, utilizando as técnicas forenses e que, de certa forma, continuam a ser reproduzidas em séries televisivas de grande divulgação sobre as virtualidades da polícia científica.
Os resultados são inesperados e Mataram o Sidonio é um verdadeiro confronto com esse tempo e as verdades históricas que ao longo de décadas foram divulgadas, onde o leitor percorre os medos e as esperanças mais fascinantes dessa Lisboa republicana que despertava para a cidade que hoje vivemos. E sendo polémico, é terno, protagonizado por personagens que poucos escritores sabem criar. Considerado um dos mestres da técnica de diálogo, Moita Flores provoca no leitor as mais desencontradas emoções que vão da gargalhada hilariante ao intenso sofrimento. Um romance que vem da História. Uma história única para um belo romance.Mataram o Sidónio! de Francisco Moita Flores

Este é o segundo livro que leio de Moita Flores e voltei a gostar.
São factos históricos sobre as primeiras passadas da ciência forense e da policia de investigação criminal, apresentados em forma romanceada e muito bem conseguida.

Confesso que houve alturas em que me esqueci do problema principal que o livro nos apresenta e me diverti a sério, mau grado a situação séria que era retratada. Uma das personagens, Moreira Junior, chamado pelos colegas como o provocador do Governo, é autor de falas de morrer a rir, quando se decide a apresentar as suas opiniões profissionais, aos seus oponentes, atingindo-os de forma certeira e fulminando-os sem lhes dar hipótese de resposta, sempre de forma exageradamente irónica.

Aconselho. É uma boa leitura. Os esforços do médico Asdrubal de Aguiar não resolveram o caso da morte do Presidente Sidónio, mas também impediram que um presumível inocente, fosse julgado e condenado sem provas e abriram portas, à cada vez maior importância da investigação forense, na resolução de crimes.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Os Lusíadas em prosa - Parte II



Na minha procura da obra do post anterior, apareceu-me este livro e curiosa, comprei.
Confesso que me tinha despertado a curiosidade saber como iriam transformar em prosa, um poema tão especial e, comprei, mesmo sem ser o que procurava.

Não li na totalidade, acho que não vou ser capaz. Fiquei chocada!

Primeiro e como opinião geral: Qual é o interesse de "facilitar a vida" aos nossos estudantes e dar-lhes a conhecer um sucedâneo de uma das obras mais valiosas da nossa literatura?
Os Lusíadas são para ler em poema. Com as devidas métricas, palavras, expressões, tempos de escrita! São para tentarmos perceber o que cada canto nos quer dizer e para isso temos o professor para fazer-nos interessar pelo que estamos a ler!

"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
..."
Podemos não gostar de poesia, mas atinge-nos!

"É minha intenção louvar os heróicos navegadores que, saídos de Portugal, seguiram por mares nunca dantes navegados, ultrapassando a fraca força humana e, assim, ultrapassaram a ilha de ceilão, antiga ilha de Taprobana, tão longinqua e dificil de atingir..."
E então,eu com isso? Como se costuma dizer por algo que não nos interessa.

Isto é alguma coisa?!

Isto é uma seca! Se acharam que os alunos não iam gostar de ler os Lusíadas como magnífica obra literária e poema que é, acham que eles vão gostar de ler isto? Eu não acho!
Posso estar errada, claro. Aceito sem problemas essa hipótese de erro, mas estão a destruir a ideia do poema. Do peso da obra. Dos comentários do meu tempo: Grande chatice, ler um poema sem sabermos o que lá diz... E ao fim e ao cabo, com a ajuda dos professores, ficávamos a saber o que lá dizia e nem era assim uma seca tão grande.
Vai ser mais interessante e pedagógico, passar a ouvir dizer: Os Lusíadas? Aquele livro escrito por um zarolho, sobre coisas antigas?

Este apontamento do "zarolho" deve-se à introdução do dito livro, onde Luís de Camões é apresentado na primeira pessoa, numa linguagem que eu classificaria de adequada ao 1º ano do ensino básico.

Os alunos devem ser incentivados, desafiados a procurarem mais, não facilitados com papa desfeita que fica em nada quando se vai comer.

E eu que sou absoluta fã do Plano Nacional de Leitura!

Nota final: Acham que os Lusíadas seriam o que são agora, se tivessem sido apenas uma história escrita em prosa?

Os Lusíadas em prosa - parte I



Para o 8º ano, o meu filho vai precisar de um exemplar desta obra.
Alguém tem para venda ou troca, mesmo usado? Não existe em Livraria nenhuma, um único exemplar disponível.

Agradeço desde já a vossa colaboração.

domingo, 23 de maio de 2010

A Princesa do Gelo


De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir.
Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador…

Lê-se muito bem e a história é bastante interessante. Um policial de suspense, como eu diria. Há aquelas histórias policiais que não contam nada e temos que ir lendo para descobrir, depois há aquelas que contam tudo e limitamo-nos a ler para ver como as personagens vão reagindo com as informações que nós já conhecemos e há as histórias policiais como esta de Camilla Lackberg, dá-nos infromações de que as personagens descobrem alguma coisa e só quando se vão confrontando umas às outras, vamos sabendo o que descobriram.
Na narrativa toda, só abdicava de duas coisas:
1º não pormenorizava tanto as refeições (quase aulas de culinária ou menu de restaurante), mas essa é minha opinião porque há autores que gostam deste tipo de pormenores;
2º quase ao inicio há uma cena que para lhe dar força, precisava que a personagem estivesse sem luvas calçadas na hora em que ia desdobrar um papel. A personagem estava na rua (temperatura de cerca de 15 graus negativos e ia sentar-se num banco de um parque. Diz-nos a autora que se sentou sobre as luvas para evitar contagios de infecções urinárias que nao lhe interessava apanhar????? Desde quando os colibacilo se propagam desde o exterior? Era mais correcto dizer que se sentava sobre as luvas para se proteger do gelo do banco.
Mas isso é só um mísero pormenor em que reparei, porque sou embirrante.
Em conclusão: gostei muito e se algum dia apanhar outro livro de Camilla Lackberg, quero ler.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Bubok


Para autores como eu que normalmente escrevemos para os amigos e gostariamos de ver as nossas obras publicadas e com acesso ao publico em geral, podendo ou não, ganhar dinheiro com isso, existe um site magnifico - Bubok.
Aconselho uma visita sem qualquer compromisso, para ver do que se trata. Foi o que eu fiz e não resisti. Registei-me como autora.
Só a ideia é deliciosa.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Deus das Pequenas Coisas


O Deus das Pequenas Coisas é a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. A histórias dos gémeos Estha e Rahel, nascidos em 1962, por entre notícias de uma guerra perdida. A de sua mãe Ammu, que ama de noite o homem que os filhos amam de dia, e de Velutha, o intocável deus das pequenas coisas. A da avó Mammachi, a matriarca cujo corpo guarda cicatrizes da violência de Pappachi. A do tio Chacko, que anseia pela visita da ex-mulher inglesa, Margaret, e da filha de ambos, Sophie Mol. A da sua tia-avó mais nova, Baby Kochamma, resignada a adiar para a eternidade o seu amor terreno pelo Padre Mulligan..
Estas são as pequenas histórias de uma família que vive numa época conturbada e de um país cuja essência parece eterna. Onde só as pequenas coisas são ditas e as grandes coisas permanecem por dizer.
O Deus das Pequenos Coisas é uma apaixonante saga familiar que, pelos seus rasgos de realismo mágico, levou a crítica a comparar Arundhati Roy com Salmon Rushdie e García Márquez.

Uma história que começa pelo fim.
O primeiro capítulo é uma breve apresentação dos personagens (quase) principais e o segundo é (quase) final da história. Todos os outros se seguem, não pela ordem cronológica da accção, mas pela ordem necessária para explicar os porquês das situações narradas em cada uma das alturas.
O passado misturado com o presente da narrativa que não é o presente da accção, uma vez que esse presente (a visita de Rahel à casa de família para ver o seu gémeo Estha)é apenas contado em três ou quatro pequenos capítulos - a chegada de Rahel, o contacto com alguém conhecido, o contacto com a tia que se queixa do alheamento de Estha e o contacto final, esperado e intenso entre os dois irmãos.
Na narrativa os dois irmãos de uma forma ou de outra, são os responsáveis ainda que alheios a essa responsabilidade por toda a história que nos é narrada.

A escrita é maravilhosa.
Os parágrafos são curtos e conseguem prender-nos à história, como se nos dessem muitas informações sem nos dar, por vezes, quase nenhumas, deixando-nos criar a nossa própria maneira de ver o que está a ser narrado, para podermos ter a nossa própria opinião em cada situação.
Se ao longo do livro toda a história nos prende para tentarmos saber o porquê do que aconteceu e como é que aconteceram algumas situações sobre as quais alguns véus vão sendo levantados, mais presos ficamos quando descobrimos como foi e nos revoltamos com as decisões tomadas.

Para terminar e para explicar melhor, em forma de resumo, tudo o que eu queria explicar eis aqui:

Quote:
A poesia em forma de romance numa das mais belas obras literárias do século XX .

"O deus das Pequenas Coisas" é um romance passado na Índia, estado de Kerala, nos anos 60/70 do século XX, onde vamos encontrar uma população que incorporou os hábitos dos colonizadores europeus (a música, a religião, a forma de vestir, o cinema...). Ao mesmo tempo, conserva ainda a maior parte das suas tradições, hábitos e, inclusive, alguns dos seus tabus ancestrais, tais como: a marginalização dos intocáveis (aqueles que no sistema de castas - estratos sociais - hindu desempenham as tarefas mais abjectas) tendo, por isso, de manter-se à margem dos "tocáveis" para não "contaminá-los". O marxismo e o cristianismo são as novidades vindas da Europa que ameaçam derrubar esta grande barreira social. Pelo menos teoricamente. O livro desta autora indiana, em muitos aspectos autobiográfico é, antes de mais, uma história de amor tão pungente como a de "Romeu e Julieta" ou "Abelardo e Heloísa". E das diferentes formas de manifestar o amor numa sociedade onde as barreiras são tantas que as Coisas mais importantes ficam sempre por dizer. Onde só as pequenas coisas são mencionadas, num ambiente social onde há que obedecer a normas rigorosas acerca de quem deve ser amado. E quanto. E como. "O deus das pequenas coisas" é uma paleta de amores proibidos: dois gémeos que se amam com uma intensidade que ultrapassa os laços de sangue, a avó cuja história de amor tem as cicatrizes da violência, a tia-avó que esconde a paixão pelo Reverendo Mullingham sob uma capa de austeridade e repressão, o tio que não ultrapassa o desamor pela sua musa britânica... E no centro desta teia de amores amaldiçoados está a mãe dos gémeos e seu amor por Velutha, o líder sindicalista intocável - uma dupla ameaça para esta família, dona da fábrica Pickles Paraíso. A duplamente estigmatizada Ammu, mãe dos gémeos - quer pelo divórcio quer pela entrega a uma paixão, que ameaça pôr em causa a imagem da família perante a sociedade -, aliada a um acidente que vitima a prima idolatrada quando esta se encontra na companhia dos dois irmãos, trará fortes convulsões que vão abalar a infância destas duas crianças.
As repetições e as frases de uma só palavra aumentam consideravelmente a intensidade do texto. Os adjectivos utilizados são enriquecidos porque incorporados em ousadíssimas sinestesias, metáforas e personificações - "O bambu amarelo chorou" ou " Os cotovelos da noite, repousando na água observavam" -, ao mesmo tempo que somos bombardeados com presságios que nos fazem adivinhar o que se vai passar a seguir. Em vários momentos do texto, o sentimento crescente de angústia, no leitor, torna-se quase que insuportável. As Pequenas Coisas são descritas até ao mais ínfimo pormenor, como que para prolongar ao máximo a durabilidade daqueles momentos preciosos, porque proibidos, obrigando as personagens a agarrarem-se às pequenas coisas, porque tudo pode mudar um dia. As Grandes coisas têm de ficar latentes para aqueles que sabem nada possuir. Para aqueles que não têm futuro. Porque são as pequenas coisas que os ligam ao Amor, à Loucura, à Esperança, à Infinita Alegria.
Unquote.
Se aconselho? Aconselho. Vivamente.