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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Eu Sou a Lenda




Um dos melhores filmes de acção do ano... 
...nasceu de um dos melhores livros de horror de todos os tempos.
Robert Neville é o último homem vivo na Terra... mas não está sozinho. Todos os outros homens, mulheres e crianças transformaram-se em vampiros e estão sequiosos pelo sangue de Neville. 
De dia, ele é o predador, caçando os mortos vivos pelas ruínas abandonadas da civilização. De noite, Neville barrica-se em casa e reza para que chegue a manhã. 
Durante quanto tempo pode um homem sobreviver num mundo de vampiros?

Nada melhor que terminar a semana de trabalho, com o terminar de um livro. Um bom livro (pelo menos para mim)!
Tendo visto o filme que gostei muito, tive uma certa curiosidade em ler o livro. Aliás, QUASE SEMPRE prefiro livro ao filme.
Richard Matheson conta-nos brilhantemente sobre a vida do último homem vivo na terra. Não nos explica como é que aconteceu a epidemia, se é que foi uma epidemia, nem nos mostra os momentos, semanas ou meses, em que aconteceu. Só nos conta que aconteceu e como está a ser a vida de Neville que imune à "doença" se vê sozinho, rodeado de vampiros que todas as noites lhe rondam a casa para acabar com ele.
Não são robots que agem involuntariamente e sabem muito bem o que querem! Mas Neville também sabe e tem conseguido escapar noite após noite.
O autor conta-nos o dia a dia de Neville que mantém a casa protegida dos seus sanguinários vizinhos, com painéis nas janelas, trancas nas portas e colares de alhos que se entretém a fazer sem descanso, espalhados pela casa. Ao mesmo tempo, durante o dia, vai destruindo todos aqueles a que consegue chegar enquanto recolhe mantimentos e materiais para as suas actividades e estudos. Sim, porque Neville quer saber porque é que os crucifixos os afastam, tal como o alho e porque é que as estacas de madeira os matam! Com Neville vamos aprendendo sobre o sangue, suas características, forças e fraquezas e esperando que ele descubra a cura. É um sonho que não realiza, até porque não tem conhecimentos para tal.
E em cada momento da sua vida, nós leitores vivemos em plena tensão, sempre à espera que alguma coisa de ruim lhe aconteça e embora os dias se repitam, o autor consegue manter-nos agarrados à história e quando parece que nos vamos fartar, aparece com uma novidade: um cão que apareceu do nada e depois do cão desaparecer, a chegada de uma mulher...
E mais não digo. A conclusão é brilhante e com ela compreendemos porque é que Neville é a lenda!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Fio de Sangue




Este segundo livro, sendo um seguimento do Acordar ao Entardecer vai ser-nos apresentado alguns meses depois, com o grupo que se reuniu para encontrar a autora (Gina) da morte de alguns dos personagens do primeiro livro, em plena caçada.
Na altura da leitura do primeiro livro, fiquei "arrasada" com a morte de uns quantos personagens no final do livro, mas agora percebi como a autora conseguiu matar os personagens quase todos. Já contava ressuscitá-los mais tarde. Porque se não foi com essa intenção, mais uma vez lhe dou os parabéns pela mestria dessa situação, no primeiro livro, porque se há coisa que me custaria era criar um personagem, acarinha-lo como fez e depois matá-lo. Não consigo. Nos meus livros, se mato algum personagem e são poucos os que morrem (a não ser os vilões que salvo raros casos, nem são identificados com nomes) tenho que o criar sem interesse para mim e com qualquer coisa detestável que só me faz, dessa forma, desejar acabar-lhe com a vida. 
Retomando este livro, que é para isso que aqui estou. Não gostei de os ver de volta. Preferia que fosse, de facto, a vingança mais profunda e crua, baseada na dor da perda que os fazia seguir na busca de Gina (culpada e autora da morte deles) não a outra vingança.
E com o renascer dos mortos, chegam personagens de que já não me recordava (isto sou eu que sou distraída) e há alturas da leitura em que me perco e já não sei quem é vampiro e quem é humano e só depois de mais algumas cenas os reconheço como sendo uns ou outros. Ainda bem que os personagens para um escritor, são como filhos, e o próprio não os esquece em caso algum. Quem ler e não entender que se aguente ou se concentre.
 A acção principal deste livro, a par com a caçada a Gina, é, a defesa de Bernardo (um do ex-mortos) e seu herdeiro (aparecido neste segundo livro) e chegamos a um ponto que gostaria de focar, não em critica à autora, mas como minha única opinião: Apesar de ler vários tipos de livros com vampiros como personagens e de os ter escrito eu própria, nem todos as histórias de vampiros são do meu gosto (é por isso que há gostos para tudo e para todos), e apesar (repetindo a palavra) de com vampiros e outras criaturas sobrenaturais, elas poderem atingir todos as características que o autor quiser, ainda me custa aceitar que procriem, se eles são criaturas sem vida.
Li, no primeiro livro e até deixei passar, mas neste já não me caiu tão bem, tão de leve, esse facto. 
Como diria uma pessoa amiga, não sintonizo com vampiros que procriam.
Isto foi só um pormenor da história, agora avancemos:
Eu sei que a ideia era travar Gina e outros, que por sua vez pretendiam Bernardo e um herdeiro, mas estava à espera de mais acção (ninguém me manda estar a ler um livro e achar que tem que ter o que eu espero e não o que o autor deseja escrever), e por acção não me refiro a sexo que o houve, embora em menor escala que no primeiro.
Pareceu-me que Diogo e Lisa (vampiros, pais de Bernardo) acalmaram um pouco os calores, ou foi da acção não se prestar a isso, ou de não serem, neste livro, os leading characters e Diogo até conseguiu cativar-me mais do que no livro anterior, onde como tinha comentado o achei um pouco irritante e desinteressante.
Por outro lado, desapaixonei-me de Virgílio. Aquele carácter corajoso, sensato, poderoso, adorável que tinha como caçador de vampiros, perdeu-o, quando perdeu a sua humanidade. Acho, que digam o que disserem, a humanidade ainda é a luz que faz brilhar os personagens de qualquer tipo de história.
Apareceram personagens novos, alguns que me pareceram muito interessantes, mas com pouco desenvolvimento porque não eram importantes a esse ponto, outros que gostei de ver mas não me disseram nada e apesar de serem imensos personagens, conforme já reclamei, se, um deles de seu nome Frederico tivesse aparecido antes, teria muito pano para desenvolver pois me pareceu interessantíssimo. Mas, por certo iria abafar outros, mais importantes, para a acção.
Portanto, em minha opinião, deveria ter havido mais acção e sei a autora capaz disso, e menos conversa. Acho que houve alturas em que conversavam demais a expor sentimentos que não era preciso expor assim, porque a autora conseguiu muito bem, mostrar-nos o que eles sentiam, sem que eles o dissessem.
E, ainda, e para finalizar, gostaria que Diogo tivesse sido apresentado com mais andamento, em vez de Bernardo, porque eu sei que neste livro, Bernardo era o núcleo, mas eu não gostei de Bernardo. Era impetuoso demais, exagerado nas dúvidas e como dizia Diogo: tal pai, tal filho, mas com o mau do pai, do livro anterior.
Por esta altura, a autora já deveria estar a jurar-me pela pele porque estou a criticar os seus personagens. Eu sei que o estaria a fazer se me criticassem os personagens, mais ainda do que à escrita, porque conheço as minhas limitações, mas acho e saudavelmente, posso dizer, que o bom de podermos opinar acerca de um livro, com a sua autora, é podermos dar a nossa opinião sobre a história do livro, a razão que o fez existir, a vida que ele é e as vidas que nos mostra.
E como disse à autora quando lhe apresentei a critica em primeira mão, não será o ultimo livro de sua autoria que irei ler.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Acordar ao Entardecer



Quando faço uma crítica a um livro que li, seja ele um livro publicado ou apenas o rascunho de uma pretensa publicação, na minha limitada capacidade de crítico, costumo focar a minha análise no enredo, nos diálogos, nos personagens e em alguns casos que me merecem destaque, na escrita. Claro que o destaque pode ser por bons ou maus motivos.
Não é que eu seja uma exímia escritora ou crítica, mas gosto de fazer críticas a livros que leio, ou não tivesse criado um blogue nesse sentido. É que, o escrever está-me na alma e então…
No caso deste livro, não vou comentar a escrita, nem me atrevo a comentar a escrita de uma autora editada, eu mera escritora de part-time.
Portanto, vou limitar-me aos outros três pontos da minha análise, expressos no primeiro parágrafo.
No que respeita ao enredo, o tema não é o meu favorito. Não me refiro a vampiros, pois até eu já escrevi três contos sobre os ditos cujos (uma tentativa pretensiosa a que chamo trilogia, apenas porque não quis perder os personagens com o final do primeiro conto). Chamo-lhes contos porque não chegam às trezentas páginas e como gosto de livros grandes (sem nada contra os mais pequenos) parece-me bem chamar contos a um livro pequeno.
O que não gosto do enredo é a história, que a meu ver é a principal – a história de amor. Não é ESTA história de amor, é que de uma forma geral eu não gosto de livros em que o enredo principal é uma história de amor.
Acho muito lamechas, demasiado fofinho… não me diz nada… Já escrevi contos com histórias de amor e até acho que certas histórias para resultarem têm que ter uma história de amor pelo meio, mas como tema principal, não é a minha onda. Isto sou eu a ser sincera e deve a autora (pessoa que conheço da blogosfera e por quem tenho um grande carinho) e quem sabe outras pessoas, pensar: “coitada, tem uma falha qualquer…”  Pois se calhar tenho e é por isso que não consigo ler Nicholas Sparks ou Nora Roberts ou Danielle Steel. A sorte é que este livro é uma história de amor, mas lá por trás tem as rivalidades centenárias entre clãs de vampiros e isso ajudou-me a continuar a ler. Se calhar se não fosse sobre vampiros, a autora também não a tinha escrito.
Continuemos: gostei dos diálogos (não dos diálogos entre Diogo e Lisa – complementam a tal historia de que não gosto e eles até se pressentem e ouvem um ao outro à distância, por isso não os achei importantes). Gostei dos diálogos entre Diogo e os outros vampiros, em especial entre ele e Virgílio. O palavreado, as teimas, as espécies de brigas em palavras, porque se fossem físicas dariam mau resultado e isso leva-me ao ponto principal da minha adoração: adorei Virgílio. O tipo seguro de um poderoso caçador de vampiros que por amor (pela irmã) se dá com eles. Se eu escrevesse sobre um tipo de personagem semelhante, seria assim, mas seria o personagem principal que eu iria apaparicar e dar em deslumbramento para quem lesse, ao longo de todo o livro, abafando todos os outros.
Já deve ter dado para perceber que não gostei do Diogo. A autora fez um bom trabalho (não precisa que eu lho diga de certeza) apresentando-o com as suas dúvidas, as suas lutas e as suas teimosias de vampiro com todos os defeitos de humano. Como se o update físico da transformação prevalecesse ao refinamento de carácter, que não teve.
Dos personagens femininos, a Lisa, apesar de tudo, não me diz nada e gostei da Soraia. Segura, poderosa e após todo um sofrimento de amor, pronta para o que desse e viesse.
Quando achava que o livro ia acabar assim, uma história em que o amor vencia, mesmo ensombrado pelo horroroso Asim que a qualquer momento podia aparecer (porque não há meio de morrer de vez, só para nos irritar :)), a autora deu a volta à coisa e com um final sublime, fez com que eu terminasse o livro com a sensação de que apesar da história de amor (a tal neura minha) tivesse valido a pena ler o livro: mata os personagens principais quase todos! Ah, mulher de garra! Apaparicou-os um livro inteiro, com a exceção de Bernardo-filho que foi apaparicado menos tempo, pelos motivos óbvios e pimba, no final, acaba-lhes com a raça.
Abriu as portas a um seguimento que deve ser muito mais sangrento e menos amoroso, penso eu sempre com a minha tal falha a prevalecer.
Em resumo: gostei de ler o livro, de ler a autora, mas isso, acho que a autora já sabia e estou pronta para ler outro. Pedi um conselho, conforme pedira para o primeiro que foi este.
Para um resumo em tópicos diria que gostei de Virgílio que me encheu as medidas e do final que me atingiu a alma.
Não gostei das amorosidades entre Diogo e Lisa, apesar de serem o motivo do livro.
E posso aproveitar para comentar só mais uma coisinha, coisinha salvo seja: muito sexo, muito explicito, muito, muito… Não em excesso que isso foi uma escolha da autora e quem sou eu para criticar o que os outros decidem, mas apenas muito, bastante. Não deixou a coisa por caneta alheia e acho que pouco ficou por dizer.
Só comento este ponto que não me fez qualquer diferença, apenas para confessar uma coisa. Na altura em que me iniciei como escritora para mais alguém ler que não eu, uma das primeiras críticas que me fizeram, foi que os meus personagens eram muitos castos e que faltava sexo nas histórias. Alterei (ligeiramente) as coisas e aprecio quem tem a capacidade de não deixar essa parte por dizer.
Espero que à autora tenha agradado a minha honestidade, porque se dissesse outras coisas estava só a querer alindar e não sou assim.

domingo, 22 de setembro de 2013

A Passagem

Já percebi porque me falham sempre os propósitos de ler livros pela ordem que me proponho quando os tenho: aparece sempre um novo que se mete pelo meio.


Sinopse - A Passagem - A Passagem - Livro 1 - Justin Cronin

Quase um século depois que uma pesquisa científica financiada pelo Exército dos Estados Unidos foge do controle, tudo o que resta é uma paisagem apocalíptica. As cobaias utilizadas nos experimentos – prisioneiros a caminho do corredor da morte – escaparam do laboratório e iniciaram uma terrível carnificina, alimentando-se de qualquer ser com sangue nas veias e espalhando por todo o continente o vírus inoculado nelas.
Um em cada 10 habitantes pode ter sido infectado. Os outros nove se tornaram presas desses virais, criaturas animalescas extremamente ágeis e fortes cujos únicos pontos fracos parecem ser a hipersensibilidade à luz e uma pequena área frágil próxima ao esterno.
Em uma fortificação construída nas montanhas, cercada de muralhas de cimento e holofotes super potentes, uma comunidade tenta sobreviver aos constantes ataques nocturnos. Mas a precária estrutura que a protege está com os dias contados: as baterias que alimentam as luzes começam a falhar e uma invasão é iminente.
Não se sabe o que aconteceu ao resto do mundo: a comunicação foi cortada, não há governo e o Exército nunca cumpriu a promessa de voltar. Provavelmente estão todos mortos. Mas a chegada de uma misteriosa andarilha traz novas expectativas: ao que tudo indica, ela tem as mesmas habilidades dos virais, mas não sua necessidade de sangue. Agarrando-se a essa esperança, um grupo parte da Colónia para buscar mais sobreviventes – e a verdade fora dos muros.
Com uma narrativa tensa e bem-estruturada, Justin Cronin constrói personagens de complexidade psicológica surpreendente. Na transição do mundo que conhecemos para um que não poderíamos imaginar encontra-se uma humanidade sitiada pelos próprios erros.

É curioso que, embora goste de ver filmes sobre futuros próximos durante ou após catástrofes, epidemias ou o que seja do género, raramente me preocupo em procurar livros sobre esses temas. Acho que tenho receio que me desiluda ou que o livro não seja tão espectacular como o filme (só neste tema, porque ninguém me verá trocar um livro por um filme, qualquer que seja).

Por mero acaso, nem me recordo se foi em algum blogue, deparei-me com esta sinopse, li as primeiras páginas e decidi que tinha que ler o livro.
E li. Não ultrapassei nenhum recorde de leitura, mas interrompi um que começara e em uma semana e apenas em alguns pedaços livres, mas eficientes, li o livro.

O primeiro parágrafo da sinopse refere-se ao inicio do livro e nós começamos a dedicar-nos aos personagens apresentados nesta parte. Mas a dada altura, o tempo passa apressado, urgente, e somos apresentados a uma nova época na triste história desta humanidade e todo o resto do livro é passado com novos personagens.
Personagens esses que nos são apresentados de uma forma cativante pelo autor e os iniciais que achávamos eram os únicos sobre quem queríamos ler, passam para um segundo plano e são estes agora, magistralmente apresentados que nos interessam e a quem nos dedicamos.

Independentemente do tema ser do interesse geral, ou não, o autor consegue prender-nos à narrativa e deixar-nos à espera de saber mais. É magistral o apresentar dois grupos com o mesmo destino, viajando de formas diferentes e o sabermos primeiro o que sucede com o segundo grupo a chegar, para ficarmos desejando saber o que aconteceu quando o primeiro chegou. Faz isto ao longo do livro e leva-nos a reencontrar personagens que julgamos perdidos para sempre e a dar como perdidos alguns que julgávamos tinham ficado em algum lugar.

E chegamos ao final do livro, sem saber o que aconteceu ou vai acontecer e desejando ler o livro seguinte para saber...
Só lamento ter lido uma versão em português brasileiro. Não me desiludiu na leitura, mas desconsolou-me com a escrita. Nada que não se ultrapasse dado o suspense de todo o livro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entranhado na Pele II


(imagem de Victoria Frances)

E terminei o conto que estava em andamento.
Tive pena de deixar os personagens irem embora. Estive com eles algum tempo (não sei quanto, porque nunca contabilizo a demora de um conto) e agora acabou. Acabou, é uma forma de dizer, porque irei estar com eles sempre que quiser, embora nessas próxima vezes já saiba exactamente o que está a acontecer.

"Muriel fez os metros que lhe faltavam a correr e quando alcançou Aeden e Fred, sorriu. Era um sorriso para os dois, mas oferecido em especial a Aeden.
- Assustaste-te com alguma coisa? - Brincou Fred, enquanto guardava as armas nos respectivos coldres e cintos.
- Como vou assustar-me com alguma coisa quando tenho que lidar com vocês os dois?
Fred riu-se. Claro que sim. Deveria ser preciso uma cabeça como a de Muriel para lidar com os dois de facto.
Aeden olhou-a. Um olhar doce, compreensivo. Sabia exactamente o que Muriel tinha sentido enquanto Amelia lhe sugava a energia e calculava quais teriam sido os seus pensamentos antes de ter ido ao encontro deles. Também percebera a corrida ao encontro dos dois e o sorriso.
Eram a certeza de que acontecesse o que acontecesse, ela estaria sempre do lado deles, dele.
E ele nunca os, a iria desiludir.
Estava habituado a enfrentar situações que lhe exigiam todo o esforço para se manter no seu lugar. No lugar que escolhera como viver.
Fez o esgar que tantas vezes fazia e que era o mais próximo de um sorriso e com um gesto de cabeça mandou que avançassem.
Naquele momento o que lhe interessava era afastar-se dali e daquele lugar de mortes e de sensações fortes que o atormentavam e lhe faziam aumentar a ansiedade que por natureza lhe estava entranhada na pele."

E como, coisa que nunca me aconteceu, este é o segundo conto com os mesmos personagens (depois do "Sangue do Meu Sangue") nada me garante que não os volte a encontrar e faça a minha primeira trilogia. E única já agora. Gosto mais de exclusivos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entranhado na Pele



Quando comecei a escrever a "sério" - e quando digo a sério, foi a criar contos com pés e cabeça e com intenção de os manter escritos e de os divulgar quanto mais não fosse, junto dos meus amigos, teria uns dezasseis ou dezassete anos. Achei que aos meus trinta e poucos escreveria a última... A vida profissional e familiar não dava grande margem para este tipo de hobbies e parei alguns anos.
Os momentos antes de iniciar um conto, eram momentos gloriosos. De quando em quando, a inspiração soltava-se e lá saía uma história nova. O espaço de tempo em que imaginava a acção e os personagens que a iriam viver, eram e são, dos melhores momentos na vida de quem escreve e dão-nos a coragem de avançar e começarmos com as primeiras palavras, sejam elas
"Era uma vez..." ou
"Quando aquela rajada de vento, levantou algum do lixo que ainda se via naquela parte da rua, Muriel sem se conseguir conter arrepiou-se e franziu a testa desgostada pela fraqueza que sentira.
Mas a verdade é que sentia frio. Não era só um frio físico, que nem as calças de couro macio pareciam conter, era uma sensação de desconforto que não conseguia explicar.
A temperatura quase não sofrera alteração, desde que o dia nascera, porque não houvera sol o dia todo e o céu estivera sempre carregado de nuvens cinzentas, mas aquele mau estar que lhe dera as boas vindas mal chegara aquele local, três horas antes, continuava e não a ajudava a sentir-se mais confortável.
Pela terceira ou quarta vez, confirmou que as armas estavam prontas a serem usadas e pelo mesmo número de vezes, deitou uma olhadela ao relógio, que marcava as seis da tarde.
Fred prometera-lhe que antes que o dia escurecesse, se encontrariam e começava a ficar preocupada.
Não com Fred, claro. Ele que se arranjasse se por acaso se tivesse metido em apuros, o que não era de estranhar, pensou sarcástica. Mas se Fred não chegasse antes que a noite se instalasse, iria ser muito complicado detê-los o tempo suficiente para que Aedan conseguisse agir em segurança.
Muriel sabia que Aedan estava a postos. Estava a postos desde que na noite passada, localizara o local e ficara à espera da nova noite para poder agir. Estava há mais de dezoito horas à espera.
Muriel voltou a arrepiar-se mas desta vez, furiosa consigo mesmo. Estava ali há três horas e reclamava e Aedan sem saber o que se passava no exterior, ou seja, no local onde Muriel continuava à espera de Fred – a esta ideia apertou os lábios e olhou para os dois lados da rua – esperava que chegasse a hora para entrar no buraco onde os seus adversários, mantinham o seu sujeito. Sabia que mal escurecesse, deveria lá entrar e contava que o pudesse fazer em relativa segurança.
Para isso poder acontecer, Fred deveria estar na rua com Muriel a chamar a atenção dos “maus”, deveriam estar a safar-se deles e a mantê-los ocupados o tempo suficiente, para que Aedan entrasse, enfrentasse algum guarda solitário, encontrasse Emily, saísse e se pusesse a salvo.
Um formigueiro nas pernas, fez com que Muriel apertasse os dentes, desejando libertar uma exclamação qualquer que Fred pudesse ouvir, onde quer que estivesse e que lhe demonstrasse a fúria com que estava.
Fred não fora logo com ela, porque Aedan assim o planeara. Iria primeiro, preparar o meio de fuga e reunir-se-ia logo depois com Muriel. Mas o logo depois, estava a começar a estender-se por tempo demais.
- Vais pagá-las, tanto! – Ameaçou Muriel num murmúrio, em resposta a um som que ouviu vindo do lado de onde esperavam ver surgir os seus oponentes.
Ficou alerta e focou o final da rua, ou seria o princípio?
Pelo estado da rua e pelas voltas que já dera, já não tinha noção de onde ela começava ou terminava. As casas eram todas iguais e em perfeito estado de quase desmoronamento e como restos de um antigo bairro de pescadores, estavam numa rua estreita, mal cheirosa e tão caquéctica como as construções.
O cheiro do rio, ou seria apenas o cheiro do lodo do rio, esclareceu-a. Afinal o fim da rua era do outro lado. O lado de onde o som vinha, era o princípio da rua. Esta começava exactamente onde terminava o caminho que vinha desde a cidade mais próxima."

Anos sem escrever em que o meu unico contacto com os meus contos, foi o passá-los a limpo, proceder a algumas alterações, imprimi-los e desejar - digo desejar porque só agora vou fazer isso - encaderná-los e de repente escrevi quase dois novos contos.
Quase, porque um já está feito e o outro encaminhado. Muito encaminhado, quase no fim da narrativa. Só lhe faltam as rectificações, que são muito correctas e agradáveis de fazer, quando passamos a nossa obra a pente fino e constatámos que esta e outra alteração iam justificar melhor a accção apresentada. E falta o final propriamente dito.
Como a meio, mudei o rumo da primeira acção... o que me deu um gozo imenso, nada me garante que o final antes idealizado, não seja alterado.
Atrevi-me a mostrar um pouquinho do inicio... Se não gostarem, fico com pena, mas não posso obrigar ninguém a gostar do que eu escrevo, claro.
Só para que conste, é uma espécie de 2º volume em relação ao anterior, porque os personagens são os mesmos, o tema é o mesmo e a acção é outra.
É mais um conto sobre vampiros, caçadores de vampiros e sem a paixãozita entre humanos e vampiros, que já me cansa, tipo amores adolescentes.
Porque para mim histórias de vampiros são:
Drácula de Bran Stoker
Entrevista com o vampiro de Anne Rice
O Historiador de Elisabeth Kostova (para mim é dos melhores)
E os meus claro: Sangue do Meu sangue e Entranhado na Pele